A seleção brasileira feminina de vôlei sofreu uma virada da Turquia e foi derrotada por 3 sets a 1 (parciais de 25/21, 22/25, 20/25 e 14/25) na final da Liga das Nações (VNL) de 2024, disputada neste domingo (23) em Bangkok, na Tailândia. Com o resultado, o Brasil amargou o quinto vice-campeonato na história da competição, repetindo os desempenhos de 2019, 2021, 2022 e 2023, e viu a Turquia conquistar seu primeiro título na VNL, em uma partida marcada por erros ofensivos brasileiros e polêmicas de arbitragem no terceiro set.
A partida começou favorável ao Brasil, que venceu o primeiro set com tranquilidade, apoiado em um bloqueio eficiente e na consistência da ponteira Gabi, maior pontuadora do time com 15 acertos. No entanto, a Turquia reagiu no segundo set, equilibrando as ações e forçando o erro brasileiro, especialmente no saque e no ataque. O terceiro set foi o ponto de virada: o Brasil liderava por 20 a 17, mas sofreu uma sequência de pontos da Turquia, incluindo um lance polêmico em que a arbitragem não marcou uma invasão turca sob a rede, gerando protestos do técnico José Roberto Guimarães. A partir daí, a seleção brasileira desmoronou, perdendo o set por 25 a 20 e o quarto set por 25 a 14, com erros consecutivos de ataque e recepção.
Do lado turco, a oposta Melissa Vargas foi o destaque absoluto, com 31 pontos, sendo a maior pontuadora da partida e peça-chave na virada. A Turquia, que já havia eliminado o Brasil nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, consolidou sua ascensão no cenário mundial, enquanto o Brasil amargou mais um vice-campeonato que reacendeu debates sobre a renovação da equipe e a dependência de jogadoras experientes como Gabi e Carol.
Panorama político e esportivo: o impacto do vice-campeonato
O resultado da final da VNL 2024 insere-se em um contexto mais amplo de desafios para o vôlei feminino brasileiro, que, apesar de manter-se entre as potências mundiais, não conquista um título de grande expressão desde o Grand Prix de 2017. A sequência de cinco vices na Liga das Nações expõe uma dificuldade crônica em fechar jogos decisivos, especialmente contra equipes europeias como Turquia, Itália e Sérvia, que investem pesado em estrutura e na naturalização de atletas, como o caso de Melissa Vargas, cubana naturalizada turca.
No cenário político, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) enfrenta pressões por maior transparência na gestão e investimento nas categorias de base, enquanto o governo federal, por meio do Ministério do Esporte, tem anunciado programas de incentivo ao esporte feminino, mas sem resultados imediatos no alto rendimento. A derrota em Bangkok também ocorre em meio a discussões sobre a reforma do calendário internacional, que sobrecarrega atletas e dificulta a preparação para competições como os Jogos Olímpicos de Paris 2024, onde o Brasil buscará o ouro após o fracasso em Tóquio.
Para o técnico José Roberto Guimarães, a sequência de vices não apaga o trabalho de reconstrução da equipe, mas acende um alerta para a necessidade de renovação e de ajustes táticos, especialmente no ataque e na recepção, setores em que o Brasil foi superado pela Turquia na final. A próxima oportunidade de ouro será nos Jogos Olímpicos de Paris, em julho, onde o Brasil enfrentará a própria Turquia na fase de grupos, em um duelo que promete ser ainda mais acirrado.
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