Segunda operação da PF em menos de um ano atinge Murici, cidade sob domínio dos Calheiros há três décadas

A cidade de Murici, em Alagoas, governada pela família Calheiros há mais de 30 anos, foi alvo da segunda operação da Polícia Federal em menos de um ano. Batizada de Operação Delivery, a ação investiga suspeitas de corrupção em contratos de obras públicas. A investigação teve origem na prisão de um empresário flagrado com R$ 270 mil em espécie.

A operação desta terça-feira (26) cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados à prefeitura e a empresas suspeitas de participar de um esquema de superfaturamento e desvio de recursos públicos. De acordo com a Polícia Federal, os contratos sob suspeita envolvem obras de pavimentação, saneamento e construção de equipamentos públicos, com indícios de direcionamento de licitações e pagamento de propinas a agentes públicos.

O caso teve início em 2025, quando um empresário foi preso em flagrante com R$ 270 mil em espécie, sem origem declarada. A partir daí, a PF aprofundou as investigações e identificou movimentações financeiras atípicas entre empresas contratadas pela prefeitura de Murici e servidores municipais. A Operação Delivery é a segunda ação de grande porte da Polícia Federal em Murici em menos de um ano. Em outubro de 2025, a Operação Cartão Vermelho já havia mirado suspeitas de fraudes em licitações na área da saúde no município.

Murici é um dos principais redutos políticos da família Calheiros, que controla a prefeitura local há mais de três décadas. O atual prefeito, Rennan Calheiros, é filho do senador Renan Calheiros e neto do ex-senador Humberto Calheiros. A hegemonia da família no município é frequentemente associada a práticas de clientelismo e controle político, o que torna a cidade um símbolo da política tradicional alagoana.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados nem detalhou se há mandados de prisão. A prefeitura de Murici, por meio de nota, afirmou que colabora com as investigações e que não comenta processos em andamento. A Operação Delivery segue em curso, com análise de documentos e depoimentos previstos para as próximas semanas.

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