Uma discussão entre um casal por causa do volume do som resultou na prisão de um homem, na noite desta quarta-feira (12), no bairro do Jacintinho, em Maceió. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que ouviram gritos e encontraram a mulher com lesões no rosto. O suspeito foi detido em flagrante e encaminhado à Central de Flagrantes.

De acordo com o relato da vítima, o desentendimento começou quando ela pediu para o marido abaixar o volume do aparelho de som. Irritado, ele passou a agredi-la com socos e chutes, causando hematomas no rosto e nos braços. A mulher, que não teve o nome divulgado, foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro.

A ocorrência foi registrada como lesão corporal dolosa no âmbito da violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha. O homem, que também não foi identificado, permaneceu detido à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que investiga se ele já tinha histórico de agressões contra a companheira.

Panorama da violência doméstica em Alagoas

O caso se soma a uma série de episódios de violência doméstica registrados em Alagoas. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL) indicam que, somente nos primeiros meses de 2025, foram registrados mais de 1.200 casos de lesão corporal dolosa contra mulheres no estado. A capital Maceió concentra cerca de 40% dessas ocorrências, com destaque para bairros como Jacintinho, Benedito Bentes e Tabuleiro do Martins.

A situação reflete um padrão nacional: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2024, mais de 250 mil casos de violência doméstica, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. Em Alagoas, a taxa de feminicídios também preocupa, com 18 mortes registradas em 2024, número que coloca o estado entre os mais violentos para mulheres no Nordeste.

Especialistas apontam que fatores como o consumo de álcool, o ciúme e a disputa por controle dentro de casa são gatilhos frequentes para as agressões. A briga por volume de som, como a ocorrida no Jacintinho, ilustra como motivos cotidianos podem escalar para violência física. A Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, prevê medidas protetivas e penas mais severas para agressores, mas a subnotificação ainda é um desafio: estima-se que apenas 30% dos casos cheguem ao conhecimento das autoridades.

A Polícia Militar reforça a importância de denúncias imediatas pelo 190 ou pela Central de Atendimento à Mulher (180). Em Maceió, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) funciona 24 horas para acolher vítimas e registrar ocorrências. O caso do Jacintinho serve como alerta para a necessidade de intervenção rápida e de políticas públicas que enfrentem as raízes da violência de gênero.

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