Eduardo Bolsonaro desiste de suplência ao Senado em SP e cita ‘insegurança jurídica’

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) anunciou, nesta terça-feira (29), que não irá concorrer como primeiro suplente na chapa encabeçada pelo candidato ao Senado André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A decisão, publicada em suas redes sociais, ocorre em meio à sua inelegibilidade por oito anos, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho de 2025, e à sua permanência nos Estados Unidos desde março do mesmo ano.

Em sua publicação, Eduardo Bolsonaro afirmou que a escolha foi tomada para “preservar um projeto maior” e que enfrenta uma “grave insegurança jurídica” e uma “evidente perseguição política contra mim e minha família”. “Fui fortemente aconselhado a não criar qualquer circunstância que pudesse colocar em risco uma candidatura ao Senado que considero estratégica para o futuro do Brasil”, escreveu o ex-parlamentar, que foi condenado por coação de forma unânime no STF, com pena de 4 anos e 2 meses em regime semiaberto, além de ficar inelegível por oito anos.

Reação de André do Prado e novos suplentes

Após o anúncio de Eduardo Bolsonaro, André do Prado divulgou uma nota em que afirma ter recebido com “respeito a decisão do sempre deputado federal Eduardo Bolsonaro”. Com a desistência, o ex-prefeito de Holambra, Fernando Fiori de Godoy, será o primeiro suplente na chapa, e a vereadora de São Paulo, Rute Costa, a segunda suplente, segundo o candidato. “Seguimos unidos, fortalecidos e focados na construção de um projeto que representa milhões de paulistas e brasileiros. Tenho plena convicção de que continuaremos caminhando juntos, cada um cumprindo sua missão, sempre em defesa dos valores que nos unem”, declarou André do Prado.

André do Prado concorrerá ao Senado na chapa que inclui Guilherme Derrite (PP), deputado federal que também busca uma vaga no Senado, e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição. A composição da chapa reflete a aliança entre PL, PP e Republicanos no estado de São Paulo, em um cenário político que se desenha para as eleições de 2026.

Panorama político e contexto

A desistência de Eduardo Bolsonaro ocorre em um momento de reconfiguração das alianças partidárias para 2026. Em Minas Gerais, a desistência de Cleitinho abriu caminho para uma aliança entre o PL e Marcelo Aro (PP) na disputa pelo governo estadual, conforme noticiado pelo portal República do Povo. No Ceará, o PRD desistiu de lançar candidatura própria ao governo, e a Federação Renovação Solidária deve apoiar a reeleição de Elmano de Freitas. Nacionalmente, a corrida presidencial ganha contornos definitivos com o lançamento de pré-candidaturas e a reconfiguração do cenário político, enquanto o PSD define seu rumo com a escolha de Caiado, desafiando a chamada “terceira via”.

Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está nos Estados Unidos desde março de 2025, quando viajou para articular com o governo norte-americano medidas contra a condenação de seu pai no STF — Jair recebeu pena de 27 anos no julgamento da trama golpista. Em julho, Eduardo comemorou a decisão do governo Trump de impor o primeiro tarifaço a produtos brasileiros, demonstrando sua atuação internacional. Sua permanência nos EUA e a condenação no STF colocam em xeque sua participação eleitoral imediata, mas a decisão de não concorrer como suplente sinaliza uma estratégia de longo prazo para o grupo político.

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