A Casa do Autista, equipamento de referência no atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Alagoas, passou por ampliação de sua estrutura durante a gestão de João Henrique Caldas (JHC), pré-candidato ao governo estadual, enquanto famílias de usuários cobram a continuidade das terapias oferecidas pelo estado. A expansão física e o reforço na inclusão educacional contrastam com a preocupação de pais e responsáveis sobre a manutenção dos serviços terapêuticos, considerados essenciais para o desenvolvimento de crianças e jovens autistas.
A ampliação da Casa do Autista integra um conjunto de ações voltadas à inclusão na rede municipal de ensino de Maceió, que também inclui a convocação de profissionais de apoio escolar e a promoção de formações sobre TEA e combate à violência contra a mulher. No entanto, a continuidade das terapias estaduais, como fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, permanece como demanda central das famílias, que temem a interrupção dos tratamentos em um momento de avanço nas políticas de inclusão.
Estrutura ampliada, mas terapias ameaçadas
De acordo com a reportagem original, publicada pelo portal Frances News, a gestão JHC investiu na ampliação da Casa do Autista, melhorando a infraestrutura e ampliando a capacidade de atendimento. A unidade, que se tornou referência em Alagoas, atende crianças e adolescentes com TEA, oferecendo diagnóstico, acompanhamento multidisciplinar e suporte às famílias. A iniciativa foi celebrada por especialistas e gestores, que veem na estrutura um avanço para a rede pública de saúde e educação.
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) promoveu ações de formação continuada para professores e equipes pedagógicas, com foco em inclusão, TEA e prevenção à violência contra a mulher. A convocação de 655 profissionais de apoio escolar, aprovados em Processo Seletivo Simplificado (PSS), também foi destaque, em meio a debates sobre a valorização da educação e as condições de trabalho nas escolas municipais.
Famílias cobram continuidade de terapias estaduais
Apesar dos avanços municipais, as famílias de crianças autistas que dependem das terapias estaduais relatam dificuldades para garantir a continuidade dos atendimentos. Muitas relatam longas filas de espera, suspensão de sessões e falta de profissionais especializados em algumas regiões. A cobrança ganhou força nas redes sociais e em audiências públicas, com pais e mães pedindo que o governo estadual assegure o financiamento e a ampliação dos serviços terapêuticos.
O cenário expõe um desafio estrutural: enquanto a gestão municipal de Maceió avança na infraestrutura e na inclusão escolar, a rede estadual de saúde enfrenta gargalos para manter os tratamentos. Para especialistas, a solução passa por uma maior integração entre os entes federativos, com repasses regulares e planejamento conjunto para atender à demanda crescente por diagnósticos e terapias.
Panorama político e perspectivas
A ampliação da Casa do Autista ocorre em um contexto de disputa política em Alagoas, com JHC se posicionando como pré-candidato ao governo estadual. A pauta da inclusão e da saúde pública deve ganhar relevância no debate eleitoral, especialmente diante das cobranças das famílias por políticas contínuas e efetivas. A gestão municipal de Maceió, que tem na educação inclusiva uma de suas bandeiras, busca capitalizar os avanços, enquanto a oposição aponta falhas na rede estadual e cobra maior compromisso do governo atual.
Enquanto isso, a sociedade civil organizada e os movimentos de defesa dos direitos das pessoas com TEA seguem mobilizados, pressionando por mais transparência e por um plano estadual que garanta terapias sem interrupção. A expectativa é que o tema ocupe espaço central nas próximas gestões, tanto municipal quanto estadual, como forma de assegurar dignidade e qualidade de vida para as pessoas autistas e suas famílias.
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