Feminicídio em Alagoas: um em cada três homicídios de mulheres é classificado como feminicídio em 2025

Um em cada três homicídios de mulheres em Alagoas foi classificado como feminicídio em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (26), revela que 31,9% das mortes violentas de mulheres no estado foram enquadradas como feminicídio, proporção que mais que triplicou na última década, passando de 9,8% em 2015 para o índice atual.

O estudo, que reúne informações das secretarias estaduais de segurança pública e da Polícia Civil, aponta que Alagoas registrou, no ano passado, um total de 47 homicídios de mulheres, dos quais 15 foram oficialmente reconhecidos como feminicídios – crimes cometidos em contexto de violência doméstica e familiar ou menosprezo à condição de mulher. O crescimento é atribuído, em parte, à maior qualificação dos registros policiais e à ampliação das medidas protetivas, mas também reflete a persistência de uma cultura de violência de gênero.

Panorama nacional e regional

Em nível nacional, o Anuário aponta que o feminicídio corresponde a cerca de 22% dos homicídios femininos, o que coloca Alagoas acima da média do país. Especialistas ouvidos pelo levantamento destacam que o aumento da proporção pode indicar tanto uma melhora na tipificação dos crimes quanto um recrudescimento da violência letal contra mulheres em contextos domésticos.

No Nordeste, Alagoas figura entre os estados com maior incidência proporcional, ao lado de Ceará e Sergipe. A pesquisa também revela que a maioria das vítimas tinha entre 18 e 34 anos, era negra e foi morta por parceiros ou ex-parceiros, frequentemente em suas próprias residências.

Impacto e desafios para as políticas públicas

Os dados reforçam a urgência de políticas integradas de prevenção, como a ampliação das casas-abrigo, o fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a efetivação das medidas protetivas de urgência. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP) informou que tem investido em capacitação de agentes e em campanhas de conscientização, mas reconhece que ainda há desafios na notificação e no acompanhamento dos casos.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o movimento ‘Nem uma a Menos’, cobram maior agilidade no julgamento dos feminicídios e a implementação de programas de reabilitação para agressores. A pesquisa também destaca que, em 28 cidades alagoanas, não houve registros de feminicídio no período, o que pode indicar subnotificação ou ausência de estrutura investigativa.

O cenário exige atenção das autoridades estaduais e federais, especialmente em um momento em que o país debate a revisão da legislação penal e a criação de varas especializadas. A expectativa é que os dados do Anuário subsidiem a formulação de políticas públicas mais eficazes e a alocação de recursos orçamentários para o enfrentamento da violência de gênero.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *