O eleitorado jovem de Juiz de Fora, formado por adolescentes de 16 e 17 anos que têm o direito facultativo de votar, encolheu drasticamente nas últimas três décadas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, para as Eleições 2026, apenas 2.029 adolescentes estão aptos a votar na cidade, número que representa menos da metade dos 3.851 registrados em 1994. A queda acompanha uma tendência nacional de envelhecimento do eleitorado e acende um alerta sobre o engajamento político da juventude.
O movimento em Juiz de Fora reflete uma mudança estrutural no perfil dos eleitores. Enquanto o número total de votantes na cidade reduziu 5,6% em relação a 2022, a participação dos adolescentes caiu quase pela metade no mesmo período. Atualmente, os jovens de 16 e 17 anos representam apenas 0,51% do eleitorado municipal, ante 1,4% em 1994. Em contrapartida, o eleitorado idoso cresce de forma consistente, evidenciando uma inversão demográfica que pode impactar as prioridades políticas locais e nacionais.
Perfil educacional dos jovens eleitores
Os dados do TSE também revelam um perfil educacional elevado entre os adolescentes que optaram por se cadastrar. Quase 96% deles chegaram ao Ensino Médio, sendo que 93,7% ainda estão cursando essa etapa e 1,6% já a concluíram. Apenas 0,1% desse grupo é analfabeto, enquanto 0,25% já ingressou no Ensino Superior. Esses números indicam que, apesar da baixa participação, os jovens que votam tendem a ter maior escolaridade, o que pode influenciar suas escolhas e prioridades.
Especialistas apontam desafios de engajamento
Para especialistas ouvidos pelo g1, o problema não é apenas convencer os jovens a votar, mas fazê-los enxergar a política como algo conectado ao seu cotidiano. Questões como educação, trabalho, tecnologia e até mesmo a pauta ambiental são apontadas como potenciais pontes de interesse. A falta de conhecimento sobre a dinâmica dos cargos eletivos — como as funções de vereador, prefeito, governador e presidente — também é citada como uma barreira. A série de reportagens do g1 sobre o perfil do eleitorado de Juiz de Fora, o quarto maior colégio eleitoral de Minas Gerais, destaca ainda a diminuição geral do eleitorado, o envelhecimento dos votantes, o peso do voto feminino e o impacto das abstenções.
O cenário em Juiz de Fora não é isolado. Em todo o país, a participação juvenil nas urnas vem caindo, enquanto a população idosa ganha peso eleitoral. Essa mudança pode redefinir as agendas políticas, com maior ênfase em previdência, saúde e assistência social, em detrimento de pautas voltadas para a juventude, como educação profissionalizante e primeiro emprego. A tendência também levanta questionamentos sobre a eficácia das campanhas de conscientização e a necessidade de reformular a educação política nas escolas.
Com as Eleições 2026 se aproximando, a dois meses do primeiro turno, a queda na participação juvenil em Juiz de Fora serve como um alerta para partidos e candidatos. Engajar esse público pode ser decisivo em uma disputa acirrada, especialmente em um cenário eleitoral desafiador, como o que se desenha em nível nacional. A reportagem completa, com análises e dados detalhados, está disponível no portal g1 Zona da Mata.
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