As famílias das 62 vítimas da queda do avião ATR 72-500, ocorrida em 9 de agosto de 2024 em Vinhedo (SP), afirmaram que o relatório final da Polícia Federal (PF), que indiciou 16 pessoas relacionadas à Voepass, não encerra a busca por Justiça e representa o início de uma etapa de responsabilização. A declaração foi feita após a Associação de Familiares das Vítimas ter acesso ao documento na tarde desta quinta-feira (6), na sede da Superintendência Regional da PF em São Paulo (SP), momentos antes da coletiva de imprensa que divulgou o relatório.
Em nota publicada nas redes sociais, Adriana Ibba, representante da associação e mãe de Liz Ibba dos Santos, a vítima mais nova do voo, destacou que o indiciamento é um passo importante, mas não encerra a luta. “Hoje, depois de quase dois anos de espera, tivemos uma resposta. O indiciamento de 16 pessoas não encerra a nossa busca por Justiça, mas marca um passo importante em um caminho construído com muita luta, persistência e amor por aqueles que perdemos”, escreveu. Ela também lembrou que “nada trará de volta as 62 vidas que nos foram tiradas”, mas que a investigação trouxe às famílias a sensação de que “todo esse trabalho não foi em vão”.
Ação coletiva e responsabilização
Após a conclusão do inquérito da PF, os familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais. Segundo o advogado Leonardo Amarante, a medida não substitui as ações individuais de indenização já em andamento. O objetivo é buscar a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que tenham contribuído, por ação ou omissão, para a tragédia.
O relatório da PF aponta que os 16 indiciados incluem profissionais com experiência e formação no setor da aviação e engenharia aeronáutica. Entre eles estão o dono da companhia de Ribeirão Preto (SP), José Luis Felicio, e o diretor de manutenção Eric Cônsoli, apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da empresa antes da crise provocada pela queda do avião e do encerramento das atividades. Também foram indiciados Edson Serra Martins, Luciano Alves de Macedo e Oderlino de Campos Figueiredo.
O acidente com o voo da Voepass, que caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, chocou o país e reacendeu o debate sobre a segurança aérea no Brasil. A queda do ATR 72-500, que seguia de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP), resultou na morte de todos os ocupantes. As investigações da PF, que duraram quase dois anos, buscaram apurar as causas do desastre, incluindo possíveis falhas de manutenção e de procedimentos operacionais.
O cenário político e institucional também acompanha o desdobramento do caso. A pressão por transparência e responsabilização tem sido uma constante por parte das famílias e da opinião pública. A ação coletiva, segundo os advogados, visa garantir que todos os envolvidos sejam responsabilizados, independentemente das ações individuais. A expectativa é que o caso sirva de precedente para o fortalecimento das normas de segurança na aviação civil brasileira.
As famílias, por meio da associação, prometem seguir acompanhando cada etapa do processo. “Uma etapa termina. Outra começa: a responsabilização. Seguiremos juntos, pela memória, pela verdade e por Justiça”, finalizou Adriana Ibba. O caso segue agora para a análise da Justiça, que decidirá sobre a aceitação das denúncias e o andamento das ações judiciais.
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