A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Varginha (MG) ouviu, na sexta-feira (7), o prefeito Leonardo Ciacci, marcando o início da fase de depoimentos sobre supostas irregularidades nas obras do novo velório municipal e do Mercado do Produtor. A investigação também apura contratos firmados com a empresa Pavican entre 2020 e 2025, envolvendo a Secretaria Municipal de Obras.
Os trabalhos da CEI, instaurada na primeira semana de maio, têm como foco possíveis irregularidades na execução de obras públicas e em contratos diretos ou indiretos com a Pavican, incluindo eventuais subcontratações por empresas vencedoras de licitações. A comissão é composta pelos vereadores Miguel da Saúde (presidente), Afonso Montesselli (relator) e Bruno Leandro (vogal).
Depoimentos e andamento da investigação
As oitivas começaram na quinta-feira (6), com cinco pessoas ouvidas. Nesta sexta, foi a vez do prefeito prestar depoimento. O então secretário municipal de Obras, Serviços Públicos e da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, William Gregório Grande, foi exonerado em novembro de 2025, após ser alvo de operação da Polícia Civil que investiga o uso de máquinas públicas.
Em entrevista à EPTV, afiliada à TV Globo, o presidente da CEI, vereador Miguel da Saúde, afirmou que os depoimentos seguem o cronograma definido pela comissão e que os trabalhos estão em andamento. “A princípio nós fizemos as requisições de toda a documentação que já está de posse da comissão e depois também faz parte do rito processual as oitivas”, explicou. Ele destacou que ainda há um longo caminho até o relatório final, com possibilidade de novas diligências.
A CEI deve concluir a investigação e encaminhar o relatório à Mesa Diretora da Câmara. O caso ganhou repercussão após o fechamento prolongado do Mercado do Produtor, quase dois anos após sua inauguração, e a exoneração do secretário de Obras, ambos temas de reportagens anteriores do g1.
O cenário reflete um movimento mais amplo de fiscalização de obras públicas em municípios mineiros, onde comissões parlamentares têm sido utilizadas para apurar denúncias de superfaturamento e irregularidades em contratos. A transparência e a responsabilização são demandas crescentes da população, que acompanha de perto a aplicação dos recursos públicos.
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