O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado (8) o tarifaço de 25% imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que pretende enviar ao presidente americano, Donald Trump, os dados mais recentes sobre a queda dos alertas de desmatamento na Amazônia. A declaração ocorreu durante um encontro pelos 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.
Lula mencionou que o desmatamento ilegal foi uma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as novas tarifas e disse que Trump recebeu informações que não correspondem à realidade. “Um dos motivos era que a gente não cuidava do desmatamento. Eu quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump”, afirmou. “Para ele saber que quem informou ele não informou sobre a verdade”, acrescentou.
Dados do Deter mostram menor índice desde 2016
Ao citar os números, o presidente dirigiu-se à ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que estava no evento. “Marina, você pode ficar orgulhosa, porque nós anunciamos o menor desmatamento da história desde 2016. Foi uma coisa fantástica. E eu fiz questão de tirar fotografia dos números”, disse.
Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz alertas para orientar ações de fiscalização. Segundo o Inpe, a área sob alertas de desmatamento na Amazônia foi de 2.874,38 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026. O resultado representa uma queda de 36% em relação ao período anterior e é o menor da série histórica, iniciada em 2016.
Tarifaço dos Estados Unidos e tensão diplomática
Em julho, o governo Trump impôs uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. A medida foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Entre as práticas brasileiras classificadas pelo órgão americano como prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos estão questões ligadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
O USTR afirmou que o Brasil tem uma estrutura legal para combater o desmatamento, mas que historicamente não aplicaria essas regras de forma eficaz. O governo brasileiro contesta essa avaliação e considera as tarifas injustificadas. A relação entre os dois países atravessa um período de tensão. Nesta semana, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio a um impasse diplomático envolvendo a indicação do novo embaixador americano em Brasília.
O encontro do MTST foi realizado na Arena Multiuso, em Taboão da Serra, e reuniu lideranças de movimentos sociais e representantes do governo. A fala de Lula ocorre em um contexto de escalada protecionista nos EUA, que afeta diversos países, e de busca do governo brasileiro por uma saída negociada para evitar prejuízos às exportações nacionais.
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