O governo do presidente Lula (PT) planeja implementar a tarifa zero no transporte público como uma das metas centrais do próximo mandato, caso seja reeleito, mesmo sem a medida constar no programa de governo apresentado à Justiça Eleitoral. A afirmação foi feita pelo deputado Jilmar Tatto (PT), que destacou a prioridade da pauta dentro do Executivo. A declaração ocorre em meio a um cenário de pressão social por mobilidade urbana acessível e de discussões sobre o financiamento do sistema.
De acordo com Tatto, a ausência da tarifa zero no plano de governo não significa abandono da proposta, mas sim uma estratégia de articulação política para viabilizar a medida. O deputado ressaltou que a gratuidade no transporte é uma reivindicação histórica de movimentos sociais e que o governo estuda fontes de custeio, como a taxação de grandes fortunas e a reestruturação de subsídios federais.
Panorama político e reações
A declaração de Tatto gerou reações imediatas entre aliados e oposição. Enquanto setores da base governista comemoram o avanço da pauta, críticos apontam falta de planejamento e riscos fiscais. Especialistas em mobilidade urbana alertam que a implementação da tarifa zero exigiria um investimento anual estimado em R$ 50 bilhões, valor que demandaria reforma tributária e cortes em outras áreas.
Nos bastidores, a discussão sobre tarifa zero também impacta as eleições estaduais de 2026. Em Alagoas, o pré-candidato ao governo João Henrique Caldas (JHC) tem defendido a ampliação de programas de transporte gratuito, mas sem detalhar fontes de financiamento. A pauta, antes restrita a municípios, agora ganha relevância nacional, com promessas de candidatos em diferentes estados.
O presidente Lula, por sua vez, não comentou publicamente a declaração de Tatto, mas aliados afirmam que a tarifa zero é uma das bandeiras sociais que podem ser incorporadas ao discurso de campanha. A medida, se aprovada, representaria uma mudança estrutural na política de mobilidade urbana do país, beneficiando diretamente cerca de 40 milhões de trabalhadores que dependem do transporte público diariamente.
Enquanto isso, a equipe econômica do governo avalia os impactos orçamentários e estuda modelos de parceria com estados e municípios. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores do Congresso, que questionam a prioridade em um momento de ajuste fiscal. Ainda assim, a declaração de Tatto sinaliza que o tema deve dominar o debate político nas próximas semanas.
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