O governo brasileiro identificou “manobras de desinformação” na Argentina sobre a origem da crise diplomática entre os dois países e decidiu agir para “esclarecer” a população do país vizinho, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “amigo” neste fim de semana, para “esclarecer fatos” sobre as recentes tarifas impostas a produtos brasileiros.
Integrantes da diplomacia brasileira afirmam ter detectado, no campo do país vizinho, tentativas de divulgar informações falsas que atribuem ao Brasil a responsabilidade pelo início do atrito entre os governos de Lula e do presidente argentino, Javier Milei. A estratégia do governo Lula é esvaziar a articulação bolsonarista tanto com Milei como com Trump, e a avaliação é de que o Brasil já deu as respostas necessárias nos dois casos.
Chanceler busca esclarecer população argentina
Diante das manobras de desinformação, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, tem buscado falar diretamente à população argentina, por meio de entrevistas a veículos locais, reforçando que a origem do conflito foi o discurso de Milei na convenção do PL e uma entrevista dele dias depois. Nas duas situações, Milei se referiu a Lula como “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”, além de chamar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “lixo careca”.
Na mais recente entrevista do ministro das Relações Exteriores à imprensa do país vizinho, ao jornal “Clarín”, Mauro Vieira disse que a Argentina precisa cessar “imediatamente” esse tipo de “agressões”, para que as relações entre os dois países, rebaixadas a encarregados de negócios em vez de embaixadores, voltem à normalidade.
Repercussão na Argentina e movimento de reaproximação
Integrantes do Itamaraty avaliam que as declarações de Milei repercutiram mal no país e que a opinião pública pode até ter forçado um movimento inicial de reaproximação. No entanto, como a chancelaria argentina divulgou nota afirmando que as relações entre os dois países “devem responder aos interesses permanentes de seus povos, e não ficarem subordinadas às necessidades políticas e/ou pessoais do presidente de turno”, a ideia é “colocar os pingos nos is”. A diplomacia brasileira ressalta que o próprio chanceler Quirno deu declarações que reforçam a necessidade de esclarecimentos.
Diálogo com os EUA e tarifas
No cenário internacional, Lula busca retomar a conversa com o presidente dos Estados Unidos para recolocar “as coisas no seu devido lugar”, como os dados errados de desmatamento alegados pelo Escritório de Comércio dos EUA para aplicar novas tarifas contra a importação de produtos brasileiros. Durante o fim de semana, Lula lembrou que, nos encontros com Trump, o relacionamento entre eles foi muito bom.
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