FGC cobra dados do BRB e adia análise de empréstimo bilionário; STF marca nova audiência

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar a operação de empréstimo solicitada pelo Banco de Brasília (BRB). A declaração foi feita em meio à crise que atinge a instituição financeira após negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025. O governo estima que R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação, e busca um empréstimo para cobrir parte do rombo.

De acordo com o documento, o FGC afirma que ainda precisa ter acesso às demonstrações financeiras de 2025 e do primeiro semestre auditadas para verificar a viabilidade da operação. Sem essa análise, o fundo não pode se posicionar sobre o pedido de crédito. Além disso, até o momento, não há formalização de manifestação de vontade por parte de instituições financeiras que atuariam como garantidoras do eventual empréstimo.

Nova audiência de conciliação

O ministro do STF Luiz Fux marcou para esta quinta-feira (13) uma nova audiência de conciliação no acordo entre a União e o BRB, atendendo a um pedido. O objetivo é viabilizar o empréstimo, mas a falta de informações completas ao FGC pode atrasar o processo.

Entenda a crise do BRB

A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, que apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias, incluindo boa parte dessas transações.

Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.

O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo banco são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, trata-se de “crédito podre” que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas, mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.

O cenário coloca em evidência a necessidade de maior transparência e governança nas instituições financeiras, especialmente após operações de alto risco. A audiência no STF será um passo importante para definir o futuro do BRB e a confiança do mercado no sistema bancário brasileiro.

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