A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Occulta Manus para investigar um suposto esquema de licenças ambientais irregulares em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. Ao todo, oito mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em quatro cidades do estado, com o objetivo de apurar suspeitas de corrupção, fraude e favorecimento ilegal em processos de licenciamento ambiental na região.
A operação, cujo nome em latim remete à ideia de ‘mão oculta’, sugere a atuação de um esquema sofisticado que operava nos bastidores da administração pública. As investigações apontam que as licenças ambientais irregulares podem ter sido emitidas em troca de vantagens indevidas, comprometendo a integridade do processo legal e gerando danos ao meio ambiente e à ordem urbanística do balneário.
Esquema e abrangência das investigações
Segundo informações apuradas, os mandados foram expedidos após longo trabalho de inteligência que identificou um padrão de irregularidades na concessão de licenças. A ação da PF não se limita a um único órgão, mas alcança possíveis conexões entre agentes públicos e empresários do setor de turismo e construção civil, que se beneficiariam de autorizações concedidas sem o devido cumprimento das normas ambientais.
As buscas ocorrem em quatro cidades do Rio de Janeiro, embora os nomes dos municípios não tenham sido divulgados oficialmente até o momento. A operação reforça o compromisso das instituições em combater a corrupção que envolve a gestão ambiental, um tema sensível em áreas de grande apelo turístico e especulação imobiliária, como é o caso de Búzios.
Panorama e impacto político-institucional
A deflagração da Operação Occulta Manus ocorre em um contexto de intensificação das investigações sobre crimes ambientais e corrupção no país. Casos recentes, como a operação que resultou na prisão de um subsecretário de Turismo de Búzios por festas ilegais em barcos e o indiciamento do diretor-geral da ANM por exploração ilegal de minério na Serra do Curral, demonstram uma atuação mais incisiva das forças de segurança e do Ministério Público.
A ação de hoje evidencia a complexidade das redes de corrupção que se entrelaçam com a gestão pública e o setor privado, exigindo respostas coordenadas das instituições. O desdobramento das investigações promete lançar luz sobre práticas que há muito tempo são denunciadas por moradores e ambientalistas, que apontam para a necessidade de maior transparência e rigor na fiscalização dos licenciamentos.
As autoridades agora trabalham na análise do material apreendido para identificar todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo causado ao erário e ao meio ambiente. A expectativa é de que novas fases da operação possam ocorrer, aprofundando o alcance das apurações e responsabilizando os culpados na medida da lei.
Fonte: ver noticia original

