A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Mão Fantasma em cidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. Até o momento, 9 pessoas foram presas em Itaboraí, e a Justiça expediu 11 mandados de prisão – dois suspeitos seguem foragidos. Os agentes também cumprem mandados em Niterói, São Gonçalo e Itaguaí. A investigação, iniciada em 2024, aponta que o grupo utilizava a técnica de spoofing para mascarar a origem de mensagens de texto e aplicar golpes em clientes de bancos, chegando a movimentar cerca de R$ 100 mil em poucos dias.
De acordo com as investigações, os criminosos enviavam SMS que pareciam ter sido emitidos pelos próprios bancos, induzindo as vítimas a clicar em links fraudulentos. Ao acessar esses endereços eletrônicos, os clientes forneciam dados sigilosos, o que permitia aos golpistas assumir o controle das contas bancárias. Em seguida, realizavam transferências rápidas para contas de terceiros – os chamados “laranjas” –, dificultando o rastreamento dos valores.
O caso que deu origem à operação ocorreu no início de 2024, quando uma idosa de 68 anos, moradora de Goiás, caiu no golpe. Segundo o delegado Thiago de Oliveira, a vítima teve recursos desviados para contas vinculadas a pessoas no estado do Rio de Janeiro. “A investigação teve início no começo do ano de 2024, quando uma idosa foi vítima de um golpe por meio de SMS. Criminosos conseguiram, a partir dessa mensagem, utilizando o número institucional de uma instituição financeira, capturar os valores das contas dessa senhora e fazer as transferências para diversas pessoas no estado do Rio”, afirmou o delegado.
A delegada Norma Lacerda reforçou o alerta para a participação dos “laranjas” no esquema. “A população do estado do Rio de Janeiro precisa entender que emprestar conta para golpista também é crime. Essas pessoas responderão pelos atos praticados e poderão ter a prisão decretada, assim como ocorreu na Operação Mão Fantasma”, disse.
Os investigados responderão por furto mediante fraude, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores ligados aos suspeitos.
Panorama do combate a fraudes digitais
A operação desta quarta-feira integra um esforço mais amplo das forças de segurança para combater o avanço das fraudes bancárias eletrônicas no país. Casos semelhantes têm sido registrados em outros estados, como a condenação de 19 réus por golpe do falso leilão que movimentou R$ 520 milhões em três estados, e o esquema de falso investimento que movimentou R$ 188 milhões em dois anos, ambos investigados e punidos recentemente. A tendência é que as polícias civis intensifiquem a cooperação interestadual para rastrear o fluxo financeiro e desarticular organizações que se aproveitam da tecnologia para lesar principalmente pessoas idosas e menos familiarizadas com os meios digitais.
As autoridades orientam que clientes de bancos nunca cliquem em links recebidos por SMS ou aplicativos de mensagem, mesmo que pareçam oficiais, e que entrem em contato diretamente com a instituição financeira por canais oficiais em caso de dúvida. A participação da população, com denúncias anônimas, também é considerada fundamental para o sucesso de operações como a Mão Fantasma.
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