O patrimônio declarado pelo deputado estadual André Silva, do MDB de Alagoas, saltou de R$ 251 mil para mais de meio bilhão de reais em apenas quatro anos, conforme dados apresentados à Justiça Eleitoral. O crescimento de mais de 2.000 vezes no período chama atenção para a evolução patrimonial de agentes públicos e reacende o debate sobre transparência e controle de bens no cenário político brasileiro.
Segundo a declaração de bens registrada em 2026, André Silva, que é candidato à reeleição, informou possuir um patrimônio superior a R$ 500 milhões. Em 2022, o mesmo político havia declarado R$ 251 mil. A diferença representa um aumento de aproximadamente 2.000 vezes, um dos maiores já registrados em pleitos recentes no estado.
O caso ganha contornos ainda mais relevantes por envolver um parlamentar com mandato em exercício, o que levanta questionamentos sobre a origem dos recursos e a compatibilidade entre rendimentos declarados e a evolução patrimonial. A legislação eleitoral exige que candidatos apresentem declaração de bens, mas não estabelece mecanismos automáticos de verificação da veracidade ou da procedência dos valores.
Panorama político e impacto no cenário local
A situação de André Silva ocorre em um momento de acirramento da disputa política em Alagoas, onde a corrida eleitoral de 2026 já movimenta diferentes grupos e lideranças. O parlamentar é irmão do prefeito de Junqueiro, Leandro Silva, o que reforça a influência familiar na política regional e amplia o alcance do caso.
Especialistas em direito eleitoral apontam que, embora a declaração de bens seja pública, a fiscalização efetiva depende de cruzamento de dados com órgãos como Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A ausência de um sistema integrado de monitoramento permite que variações patrimoniais extremas passem despercebidas, alimentando a desconfiança da população em relação à classe política.
O caso de André Silva não é isolado. Em outros estados, situações semelhantes têm sido registradas, como a do filho de Arthur Lira, que se declarou empresário sem registrar empresa ou patrimônio, e a do filho de Jair Bolsonaro, que entrou na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados por Santa Catarina. Esses episódios evidenciam um padrão preocupante de falta de transparência e de lacunas na fiscalização de bens de candidatos e agentes públicos.
A sociedade civil e órgãos de controle têm cobrado maior rigor na análise das declarações, com propostas que vão desde a obrigatoriedade de comprovação de origem dos bens até a criação de mecanismos de auditoria automática. Enquanto isso, o eleitorado alagoano observa com atenção os desdobramentos do caso, que pode influenciar o resultado das urnas e a confiança nas instituições.
Procurado pela reportagem, o deputado André Silva não se manifestou até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
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