Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolaram nesta terça-feira (10/3) no Supremo Tribunal Federal um pedido de autorização para que Darren Beattie, conselheiro do presidente dos Estados Unidos Donald Trump responsável pela política americana em relação ao Brasil, visite o ex-presidente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A decisão sobre o pedido cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.
Beattie ocupa o cargo de subsecretário assistente interino para assuntos culturais no Departamento de Estado e foi escolhido pelo governo Trump para supervisionar a relação bilateral com o Brasil. Ele está no país para uma agenda que inclui reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e participação em evento sobre minerais críticos em São Paulo — setor estratégico para os Estados Unidos, que busca garantir cadeias de suprimento seguras.
O conselheiro americano é uma figura diretamente associada às tensões diplomáticas entre os dois países. Em 2024, ele chamou publicamente Moraes de principal responsável pelo que descreveu como perseguição ao ex-presidente, declaração que levou o Itamaraty a convocar o principal diplomata americano em Brasília para dar explicações. Antes disso, em 2018, Beattie foi demitido do cargo de redator de discursos da Casa Branca após sua participação em um evento frequentado por nacionalistas brancos.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação por liderar a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A Primeira Turma do STF negou por unanimidade, na semana passada, o pedido da defesa de prisão domiciliar humanitária. Moraes argumentou que não existem razões excepcionais que justifiquem a concessão da domiciliar, citando relatórios de custódia e perícia da Polícia Federal que indicam que o ex-presidente recebe atendimento médico contínuo.
O pedido de visita de Beattie ocorre em meio a um período de pressão americana sobre o STF. Nos últimos meses, o governo Trump impôs tarifas de 50% a produtos brasileiros e revogou vistos de ministros da Corte, em movimentos associados publicamente pelo próprio governo americano ao caso Bolsonaro. A visita ao Brasil representa a primeira viagem do conselheiro ao país desde sua nomeação para o cargo.
