PF cumpre novo mandado de busca e apreensão contra advogado Nelson Wilians em SP

A Polícia Federal (PF) em São Paulo realiza uma nova operação na casa do advogado Nelson Wilians, alvo no mês passado de uma operação do Fisco paulista contra fraude no ICMS em São Paulo e no Paraná. Os agentes federais cumprem mandado de busca e apreensão na mansão do advogado, em decisão tomada pela Justiça da Paraíba.

Em 15 de julho, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou uma operação contra uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS para reduzir indevidamente o imposto devido ao estado. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.

Um dos núcleos principais do grupo investigado é ligado a um grupo econômico do advogado Nelson Wilians, cujo escritório também foi alvo de buscas na ocasião. Anne Wilians, esposa de Nelson, advogada e sócia dele, também está entre os alvos. Assim como, em Londrina, a advogada Mayra de Paula, que segundo a investigação é “sócia” de Wilians nas fraudes.

Em nota na época, o escritório de Wilians informou que “a gestão das operações mencionadas era de responsabilidade exclusiva do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem qualquer vínculo societário ou de controle com o NWADV. Ao identificar inconsistências, o escritório encerrou a parceria e comunicou seus clientes”. O g1 procura a defesa de Mayra de Paula.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes. Eles simulavam ter créditos tributários para vender para as empresas — geralmente pequenas e médias. Mas, segundo a investigação, os créditos eram falsos. As empresas eram multadas. Eles, então, simulavam telas para mostrar que as multas tinham sido quitadas — o que também era falso. Para dar credibilidade ao esquema, o advogado chegava aos compromissos de helicóptero e carros importados.

O caso ganha contornos mais amplos no cenário nacional, onde operações como a “Núcleo de lavagem de dinheiro do TCP movimentou R$ 4 milhões com anúncios falsos de venda de veículos é alvo da polícia” e a “PF deflagra operação contra fraude em licitação de prefeitura em São Paulo” demonstram a atuação das forças de segurança no combate a esquemas financeiros complexos. Ações como a “Operação Omertá” e a “PF cumpre buscas contra ex-secretário do Maranhão” também evidenciam a amplitude das investigações em curso no país.

A nova fase da operação em São Paulo reforça a continuidade das apurações sobre o suposto esquema de fraude de ICMS, que já resultou em buscas em escritórios e residências de envolvidos. A Justiça da Paraíba autorizou a medida, indicando que as investigações seguem em âmbito nacional. A defesa de Nelson Wilians ainda não se manifestou sobre o novo mandado, mas o escritório já havia negado envolvimento nas fraudes, atribuindo a responsabilidade a outra empresa.

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