A Justiça de São Paulo decidiu que os três policiais militares que atiraram contra o motoboy Evandro Alves da Silva durante a Operação Escudo serão submetidos a júri popular. A decisão foi proferida pela juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia na quarta-feira (12) e atende a denúncia do Ministério Público. O sargento Thiago Freitas da Silva e os soldados Daniel Pereira Noda e Carlos Vinicius Batista Bruno foram pronunciados por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O crime ocorreu em 30 de agosto de 2023, quando os policiais invadiram o imóvel alugado por Evandro, usado como ponto de apoio para mototaxistas no Morro José Menino, em Santos, litoral de São Paulo. No dia dos fatos, Evandro estava nu e usava o banheiro quando foi baleado. Mesmo ferido com tiros de calibre 12, ele pulou a janela e caiu de uma altura de 7 metros nos fundos da casa.
Na época, os policiais alegaram que o motoboy estava armado e apreenderam um revólver em cima de uma cama. Contudo, segundo o MP, a versão foi desmentida com a análise das imagens das câmeras corporais. As imagens, obtidas com exclusividade pelo g1 e pela GloboNews, mostram que não havia nenhuma arma em cima da cama e que, após dois minutos, aparece uma pistola semiautomática cromada. Para a família do motoboy, o armamento foi colocado na cena do crime pelos policiais.
Decisão judicial e provas
Na sentença, a juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia afirmou que “as provas coligidas revelam significativa divergência quanto à dinâmica dos fatos e às circunstâncias da ação, impondo que a matéria seja submetida ao crivo do Conselho de Sentença, competente para apreciar a versão dos acontecimentos e valorar o conjunto probatório produzido sob o contraditório judicial”. O g1 tenta localizar a defesa dos agentes denunciados.
Operação Escudo e contexto
A Operação Escudo foi realizada na Baixada Santista e começou em julho de 2023, após a morte do PM Patrick Bastos Reis. A ação resultou na morte de 28 suspeitos em supostos confrontos e foi alvo de denúncias por órgãos de direitos humanos a partir de relatos de moradores sobre execuções, tortura e abordagens policiais violentas. O caso de Evandro Alves da Silva ganhou repercussão nacional após a divulgação das imagens, que reforçaram as suspeitas de abusos durante a operação.
O julgamento pelo júri popular representa um desdobramento significativo para a responsabilização de agentes do Estado em casos de violência policial. A decisão também evidencia a importância das câmeras corporais como ferramenta de transparência e controle externo da atividade policial, um tema que segue em debate no país.
Fonte: ver noticia original

