O governo cubano voltou a apontar o dedo para Washington: em discurso oficial, acusou os Estados Unidos de fomentar uma crise social na ilha com o objetivo claro de derrubar o regime. A declaração, repercutida nesta semana, coloca as sanções econômicas no centro do debate e reacende a velha disputa entre os dois países.

Segundo Havana, o bloqueio comercial imposto pelos americanos seria a principal arma de uma estratégia de desestabilização. O argumento não é novo, mas ganha força em meio ao agravamento da escassez de alimentos, remédios e combustível — problemas que têm gerado filas, apagões e crescente descontentamento popular.

Enquanto isso, a crise cubana vira combustível para a política externa brasileira. Em evento recente, o presidente Lula chamou as falas do argentino Javier Milei de “patacoada” e ironizou a crise diplomática, em um aceno claro ao bloco de esquerda latino-americano. A fala, registrada em convenção do PL, reforça o alinhamento do Brasil com Cuba em meio à pressão internacional.

Para analistas, a acusação cubana busca desviar o foco das falhas internas de gestão, mas também serve para testar a solidariedade regional. O próximo passo deve ser uma nova rodada de pressão na ONU contra o embargo americano, com expectativa de apoio de países como China e Rússia.

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