A Marinha do Brasil concluiu, nesta sexta-feira (14), um curso internacional de operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio de Janeiro, reunindo 54 mulheres de 21 países. A capacitação, realizada no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, contou com a participação de 31 brasileiras e 23 estrangeiras, entre militares e civis, em cinco dias de atividades práticas e teóricas.
O treinamento teve como foco preparar as participantes para situações comuns em missões internacionais, como atendimento a vítimas, tomada de decisões sob pressão, comunicação e trabalho em equipe. Em uma das atividades, as alunas foram divididas em grupos para atuar em um cenário que simulava uma região afetada por conflito, com a missão de resgatar vítimas em meio a tensão. Apesar de ser uma simulação, a atividade exigia calma e decisões rápidas.
Inteligência emocional e atendimento de emergência
A internacionalista Cecília Delfino destacou a importância da preparação emocional: “Inteligência emocional é muito importante em ambientes de muita pressão, onde precisa de raciocínio rápido, pensar de forma estratégica, [para ter] a melhor reação para você e para o grupo”. O curso também incluiu noções de primeiros socorros e atendimento de saúde em situações de emergência.
A capitão-tenente Débora Freitas, coordenadora do curso, explicou que o objetivo é deixar as participantes aptas a atuar em campo e prestar assistência à população em áreas onde houver missão de paz. “É um treinamento específico com atendimento de saúde em questão de emergência. Então, elas estarão preparadas para, se possível, serem desdobradas no terreno para ajudar a população”, afirmou.
Intercâmbio internacional e panorama das operações de paz
Entre as participantes estavam mulheres de países como Peru e Bangladesh. Além do conteúdo técnico, o treinamento serviu para a troca de experiências entre profissionais de diferentes nações que podem atuar em missões da ONU. A tenente-coronel da Força Aérea Peruana Paola Merino contou que a experiência no Rio permitiu conhecer outras mulheres que trabalham em operações no hemisfério, e disse estar contente com a oportunidade de aprender e de conhecer militares, técnicas e civis de diferentes países.
O curso reforça o papel do Brasil como referência em treinamento para forças de paz, especialmente no engajamento feminino, alinhado às diretrizes da ONU sobre a participação de mulheres em operações de manutenção da paz. A iniciativa também contribui para o fortalecimento de redes de cooperação entre países do Sul Global, que frequentemente atuam em cenários de conflito na África, Ásia e América Latina.
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