A Europa registra um movimento inverso em sua matriz energética: enquanto as compras de Gás Natural Liquefeito (GNL) despencam para o menor nível em dois anos, a importação de gás russo avança. O dado, que contraria a narrativa de independência energética do continente, acende alerta sobre a dependência persistente de Moscou.
Levantamento do setor aponta que os suprimentos russos ganharam espaço no mercado europeu, impulsionados por contratos de longo prazo e preços competitivos. A redução do GNL, por sua vez, reflete a desaceleração econômica e estoques elevados, mas também expõe a fragilidade da estratégia de diversificação adotada após o início da guerra na Ucrânia.
Especialistas ironizam o paradoxo: enquanto líderes europeus discursam sobre sanções e transição verde, os gasodutos vindos da Rússia seguem operando a pleno vapor. A situação levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas restritivas e o custo real da chamada autonomia energética.
Para analistas, o cenário deve se manter até o próximo inverno, quando a demanda por aquecimento tende a reacender a disputa por suprimentos. A expectativa é que o bloco reavalie suas políticas, mas sem abrir mão do gás russo — um casamento por conveniência que insiste em não terminar.
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