Quaest revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno, com disputa acirrada entre jovens, mulheres e eleitores de renda média

A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta sexta-feira (14) e encomendada pela Globo em parceria com o jornal O Globo, revela um cenário de empate técnico na simulação de segundo turno para a Presidência da República entre Lula (43%) e Flávio Bolsonaro (40%), dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de agosto, mostra uma disputa acirrada em diversos segmentos do eleitorado, com vantagens regionais e por faixa de renda, e aponta os grupos que podem ser decisivos para o desfecho da eleição.

No recorte mais jovem do eleitorado, entre 16 e 34 anos, a disputa está tecnicamente empatada, com ambos os candidatos registrando 41% das intenções de voto. O mesmo ocorre na faixa etária de 35 a 59 anos, onde os dois somam 42%. Entre as mulheres, eleitorado estratégico para as campanhas, Lula lidera com 44%, contra 35% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de nove pontos percentuais, que caiu em relação à pesquisa anterior, de 5 de agosto, quando era de 12 pontos. Já entre os homens, o cenário se inverte: Flávio Bolsonaro tem 45%, enquanto Lula marca 41%.

Disputa acirrada em segmentos intermediários

A pesquisa também evidencia um equilíbrio em grupos considerados decisivos, como os eleitores de renda intermediária (entre 2 e 5 salários mínimos), onde Flávio Bolsonaro lidera com 43%, contra 38% de Lula. Nas regiões Centro-Oeste e Norte, a vantagem é mínima: Lula tem 42%, e Flávio Bolsonaro, 41%. Esses números indicam que a eleição deve ser definida nos detalhes, com campanhas precisando conquistar o eleitorado que ainda não está totalmente decidido.

Vantagens regionais e por segmentos

O levantamento aponta onde cada candidato tem suas maiores vantagens. Lula domina no Nordeste, com 61% contra 26% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 35 pontos percentuais. Também tem vantagem expressiva entre eleitores com renda de até 2 salários mínimos (58% a 27%), entre pretos (52% a 30%), entre aqueles com ensino fundamental (52% a 31%) e entre católicos (50% a 36%). Já Flávio Bolsonaro lidera no Sul, com 54% a 27%, entre evangélicos (53% a 28%), entre eleitores com mais de 5 salários mínimos (48% a 34%), com ensino superior (47% a 36%) e com ensino médio (45% a 36%).

Eleitores independentes: o fiel da balança

Um dos dados mais relevantes da pesquisa é o comportamento dos eleitores que se declaram independentes — nem lulistas, nem bolsonaristas, nem de esquerda, nem de direita. Nesse grupo, que corresponde a um terço do eleitorado, Flávio Bolsonaro tem 35%, contra 29% de Lula. No entanto, 9% estão indecisos e 27% afirmam que preferem votar em branco, anular ou não votar. A margem de erro nesse segmento é de quatro pontos percentuais. Em julho, a vantagem era de Lula, que tinha 40%, contra 27% de Flávio Bolsonaro. A reversão nesse grupo pode ser decisiva para o resultado final.

A pesquisa Quaest é a primeira encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo para as eleições de 2026, e seu cenário reforça a polarização entre os dois candidatos, que devem concentrar esforços para conquistar os eleitores que ainda não definiram voto, especialmente mulheres e independentes, em um contexto de disputa acirrada e sem favoritos claros.

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