Uma família alagoana transformou a busca por uma viagem econômica em uma aventura épica de três anos pelos mares do mundo. A empresária Ângela Seabra Cheloni, o marido Daniel e as filhas cruzaram mais de 30 países a bordo de um veleiro, usando o vento como principal combustível e construindo uma história de superação, laços familiares e descobertas que atravessou as Américas.
O que começou como uma alternativa para driblar os altos custos de um roteiro turístico convencional se tornou um projeto de vida. Ao pesquisar opções, o casal descobriu que um veleiro poderia ser a chave para percorrer grandes distâncias com baixo custo. “A gente descobriu que no veleiro você põe a família dentro e o vento leva. Você não usa diesel. Você usa o diesel só para manobra de emergência ou para entrar num porto ou numa marina”, contou Ângela, em entrevista ao g1 Alagoas.
Do aprendizado à partida definitiva
A decisão foi rápida e prática. Primeiro, adquiriram um veleiro pequeno para aprender a navegar, chegando a desmontar a embarcação para entender seu funcionamento. Em seguida, compraram um barco maior e realizaram uma reforma completa. O plano inicial era passar cerca de um mês navegando nas proximidades como treinamento, mas a vontade de explorar falou mais alto. “No dia seguinte, a gente pegou, engatou a primeira e fomos embora”, relembrou Ângela.
Tempestade e superação em alto-mar
A aventura, no entanto, não foi livre de perigos. Durante uma travessia na costa dos Estados Unidos, na região da Corrente do Golfo, a família foi surpreendida por uma tempestade violenta. A corrente marítima seguia em uma direção enquanto a tempestade avançava em sentido contrário, formando ondas gigantes que fizeram a família perder o controle da embarcação. “Começou a levantar onda e a gente perdeu o controle do barco. Antes disso, a gente já tinha abaixado todas as velas e tirado tudo de cima do barco”, relatou.
Em um momento crítico, uma onda atingiu a embarcação por trás, levantando-a. “Quando o barco estava pronto para capotar, ele voltou e tudo de trás quebrou.” O impacto destruiu equipamentos essenciais como o gerador eólico, a placa solar e o piloto de vento, além de arrancar parte da estrutura traseira. Enquanto a família se protegia no interior, Daniel precisou sair para cortar os cabos dos equipamentos danificados que batiam contra o casco. Apesar do susto e dos prejuízos, a viagem continuou.
A experiência de três anos não apenas proporcionou memórias inesquecíveis, mas também fortaleceu os laços familiares. Anos depois, essas vivências ajudaram Ângela a enfrentar a morte do companheiro, vítima de um câncer. A história, que começou como uma solução econômica, tornou-se um testemunho de coragem, resiliência e da importância de viver intensamente ao lado de quem se ama.
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