Ivan Moraes denuncia pressão do PSB para retirar candidatura ao governo de Pernambuco às vésperas do registro eleitoral

O candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes, denunciou, na noite deste sábado (15), que vem sofrendo “ataques” do PSB para que sua candidatura seja retirada às vésperas do início da campanha eleitoral. Em coletiva de imprensa na sede do Diretório Estadual do PSOL, no bairro do Derby, área central do Recife, ele afirmou que a Executiva Nacional da sigla teria decidido retirar sua postulação por suposto acordo com o partido presidido pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, que também disputa a eleição majoritária. As declarações ocorreram no último dia do prazo para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral, com o 1º turno marcado para 4 de outubro.

Ivan Moraes, jornalista e ex-vereador, disse que o PSB tentou desfazer alianças com o PSOL em outros estados para forçar a retirada de sua candidatura em Pernambuco, embora não tenha detalhado quais seriam essas articulações. “O que aconteceu foi que, recentemente, talvez movido mais por sentimento do que por racionalidade, o PSB pôs em xeque muitas dessas articulações em que estávamos juntos em detrimento da minha candidatura. Não é um acordo que se faz, na véspera de uma convenção de um partido que está organizado, numa frente ampla”, declarou.

Pressão e falta de quórum

Durante o dia, a Executiva Nacional do PSOL chegou a marcar uma reunião para discutir o assunto, mas, segundo a campanha de Ivan Moraes, o encontro não foi realizado por falta de quórum. O candidato afirmou que o presidente do partido iniciou um processo de “tentativa de cooptação e, depois, de ameaça”, e desafiou: “Eu tenho muita curiosidade… Eu acho que é um desafio. Pronto! Vamos descobrir por que aconteceu isso? Eu sei que ele (João Campos) não está respondendo, mas ele está fazendo campanha”.

Ivan Moraes também destacou que a Executiva estadual do PSOL “resistiu bravamente a todo tipo de ameaça” e que sua candidatura representa uma proposta “nova, diferente, arejada”. “Era natural que uma construção como essa fosse ser atacada. Se a gente não sofresse ataques, é porque a gente não estava trabalhando direito. Mas a gente não esperava o tamanho do ataque que veio nos últimos dias. Todo mundo sabe a pressão que a gente sofreu pela retirada da minha candidatura”, completou.

O g1 entrou em contato com João Campos, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. A partir de domingo (16), os candidatos podem fazer campanha nas ruas e na internet, e o cenário político pernambucano segue marcado por intensas articulações entre os partidos, com a disputa majoritária polarizada entre as candidaturas do PSOL e do PSB.

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