Alagoas registra mais de 60 mil empresas inadimplentes e dívidas somam R$ 790 milhões

Mais de 60 mil empresas em Alagoas estão com o nome negativado, acumulando dívidas que somam R$ 790 milhões, conforme levantamento da Serasa Experian divulgado em junho. O estado registra 256.374 débitos em atraso, o que coloca em evidência a fragilidade do setor produtivo local e os desafios para a retomada econômica.

O estudo aponta que as micro e pequenas empresas são as mais atingidas, representando a maior parcela dos CNPJs inadimplentes. O valor médio de cada dívida é de R$ 3.080, e o ticket médio por empresa chega a R$ 12.971. Os dados reforçam um cenário de aperto financeiro que atinge principalmente os pequenos negócios, responsáveis pela maior parte dos empregos no estado.

Panorama nacional e impacto econômico

Em todo o Brasil, a inadimplência empresarial também preocupa: são 59,9 mil CNPJs negativados, com um total de R$ 229,9 bilhões em dívidas. O número de empresas inadimplentes cresceu 6,3% no primeiro semestre, impulsionado por fatores como a alta da taxa de juros, a inflação e a redução do crédito disponível.

O economista e professor universitário, Ricardo de Almeida, analisa que a situação reflete um ciclo vicioso: “Com juros altos, o custo do crédito aumenta, as empresas reduzem investimentos, demitem e, consequentemente, a demanda interna cai, gerando mais inadimplência”. Ele destaca que a recuperação depende de políticas públicas de renegociação e de estímulo ao consumo.

Setores mais afetados e medidas de recuperação

Os setores de comércio e serviços lideram o ranking de inadimplência em Alagoas, seguidos pela indústria. A Serasa Experian oferece plataformas de renegociação, como o Serasa Limpa Nome, que já ajudou a recuperar mais de R$ 40 bilhões em débitos no país. No estado, a expectativa é que mutirões de negociação possam aliviar a situação das empresas locais.

O levantamento também revela que a maioria das dívidas está concentrada em valores abaixo de R$ 1.000, o que indica que muitos pequenos negócios estão endividados com contas básicas, como energia, água e impostos. A orientação dos especialistas é que os empresários busquem renegociar antes que a situação se agrave, evitando a exclusão do mercado formal.

O cenário alagoano reflete uma tendência nacional, mas com particularidades regionais, como a dependência de setores sazonais e a menor oferta de crédito. A recuperação econômica do estado dependerá de ações coordenadas entre governo, instituições financeiras e entidades de classe.

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