O candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho, resolveu inovar no plano de governo: prometeu isenção do IPTU, um imposto que é municipal, não estadual. A proposta, divulgada em seu programa eleitoral, menciona benefício a oito cidades, mas não esclarece como pretende negociar com os prefeitos — que são quem, de fato, têm o poder de mexer no tributo.
A ideia, que soa como um presente de grego para as prefeituras, levanta dúvidas sobre a viabilidade prática. Afinal, o IPTU é a principal fonte de receita própria dos municípios, e qualquer isenção exigiria compensação financeira ou acordo político com os gestores locais. Até agora, o candidato não apresentou nenhum plano concreto de articulação com as prefeituras, o que deixa a promessa no campo da fantasia eleitoral.
Enquanto isso, no cenário nacional, a oficialização da candidatura de Lula à reeleição movimenta o tabuleiro político, e o Novo já sacramentou Marinho em convenção virtual. A proposta do IPTU, no entanto, pode virar munição para adversários, que devem cobrar detalhes sobre como o candidato pretende implementar uma medida que foge à alçada do governo estadual.
O próximo passo esperado é que Marinho seja questionado em debates e entrevistas sobre a viabilidade da proposta. Sem resposta clara, a promessa corre o risco de ser arquivada como mais um devaneio de campanha — ou de virar dor de cabeça para os prefeitos, caso ele vença e insista na ideia.
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