Alagoas registra 12 feminicídios e 67 tentativas de feminicídio em 2026; queda nos assassinatos contrasta com aumento nas tentativas

Alagoas registrou, entre janeiro e julho de 2026, um total de 12 feminicídios e 67 tentativas de feminicídio, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número de assassinatos de mulheres por razão de gênero apresentou queda em comparação com períodos anteriores, mas o aumento expressivo nas tentativas acende um alerta para a persistência da violência doméstica e de gênero no estado.

Os dados, divulgados pelo portal Frances News, revelam que, embora a redução nos feminicídios consumados seja um sinal positivo, o crescimento das tentativas indica que a violência letal continua presente, muitas vezes interrompida por intervenção policial, socorro rápido ou ação das próprias vítimas. Especialistas apontam que o aumento nas tentativas pode refletir tanto uma maior notificação dos casos quanto uma escalada da agressividade dos agressores.

Panorama da violência de gênero em Alagoas

O cenário alagoano se insere em um contexto nacional de debates sobre a eficácia das medidas protetivas e do enfrentamento à violência contra a mulher. Em Alagoas, a queda nos feminicídios pode estar associada a políticas públicas de fortalecimento das redes de proteção, como a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a atuação da Patrulha Maria da Penha. No entanto, as 67 tentativas registradas mostram que a violência de gênero ainda é uma realidade alarmante, exigindo ações contínuas de prevenção e punição.

Casos recentes noticiados pelo portal República do Povo ilustram a gravidade da situação. Em Igreja Nova, um homem foi preso três dias após matar Rosângela dos Santos a facadas, crime que chocou a comunidade. Em Arapiraca, um homem ameaçou a companheira de morte e agrediu o enteado durante uma briga familiar, evidenciando a exposição de crianças e adolescentes à violência doméstica. Já em Maceió, uma tentativa de invasão e ameaças a uma vítima de violência doméstica expôs fragilidades na proteção oferecida pelo sistema, levantando questionamentos sobre a efetividade das medidas cautelares.

Desafios e perspectivas

O aumento nas tentativas de feminicídio também pode estar relacionado à subnotificação histórica, que vem diminuindo com o incentivo a denúncias e o fortalecimento dos canais de atendimento, como o Ligue 180. Ainda assim, os números reforçam a necessidade de investimento em políticas de prevenção, educação e acolhimento às vítimas, além de um acompanhamento mais rigoroso dos agressores.

Especialistas ouvidos pelo Frances News destacam que a queda nos feminicídios não pode ser comemorada isoladamente, pois as tentativas representam um risco iminente à vida das mulheres. A comparação com outros estados, como a Bahia, onde uma mulher foi atacada com ácido ao sair de uma delegacia após denunciar o ex-companheiro, mostra que a violência de gênero atravessa fronteiras e exige respostas integradas.

O governo estadual, por meio das forças de segurança, tem intensificado operações de combate à violência doméstica, mas os resultados ainda são insuficientes diante da complexidade do problema. A sociedade civil e os movimentos de mulheres cobram ações mais efetivas, como a implementação de casas-abrigo e o fortalecimento das redes de apoio psicológico e jurídico às vítimas.

Enquanto isso, os dados do Sinesp servem como um termômetro da violência de gênero em Alagoas, indicando que, apesar dos avanços, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a segurança e a dignidade das mulheres no estado.

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