O candidato à Presidência Romeu Zema defendeu neste sábado (22), durante agenda em São Paulo, uma nova reforma da Previdência e afirmou que poderá ser necessário aumentar o tempo de contribuição à medida que crescer a expectativa de vida da população. Em encontro com aposentados na capital paulista, o candidato também apresentou propostas para combater fraudes no INSS e aumentar a formalização do trabalho.
Segundo Zema, uma eventual mudança preservaria os direitos adquiridos e poderia atingir principalmente quem está entrando agora no mercado de trabalho. “Talvez vamos ter de aumentar o tempo de contribuição de quem está chegando no mercado de trabalho”, afirmou. O candidato defendeu ainda a criação de um mecanismo que permita ajustar o período de contribuição conforme o aumento da expectativa de vida, evitando, segundo ele, a necessidade de discutir novas reformas previdenciárias periodicamente.
“O ideal é que isso seja feito de maneira planejada, de maneira que exista tipo um mecanismo que, ao longo do tempo, à medida que a expectativa de vida aumenta, esse tempo de contribuição também aumente, para não ter de ficar debatendo continuamente algo que nós sabemos que vai acontecer”, disse. Zema argumentou que mudanças nas regras previdenciárias são necessárias para manter as contas públicas equilibradas e relacionou os déficits à situação fiscal do país.
“As contas da Previdência precisam estar no equilíbrio para que nós não venhamos a ter déficit, que acaba gerando essa situação atual de juros altos, de inflação, que acaba piorando a vida do brasileiro”, afirmou. O candidato disse ainda que mudanças desse tipo acompanham o aumento da longevidade da população. “A expectativa de vida dos nossos avós, bisavós, era muito menor do que [a de] quem está entrando no mercado de trabalho hoje. Então isso é natural, tem acontecido em todo o mundo alguma mudança previdenciária ao longo do tempo”, afirmou.
Encontro com aposentados e propostas de combate a fraudes
Zema começou a agenda deste sábado com uma roda de conversa na região central da capital paulista. No encontro, ouviu pessoas afetadas por descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende realizar auditorias e modernizar sistemas públicos para combater irregularidades.
Zema também defendeu aumentar a formalização dos trabalhadores como forma de elevar a arrecadação previdenciária. Outra proposta apresentada pelo candidato é a implantação de um modelo de contrato de trabalho baseado nas horas efetivamente trabalhadas.
A defesa de uma nova reforma previdenciária ocorre em meio à apresentação das propostas econômicas de Zema durante a campanha presidencial. O candidato tem defendido o equilíbrio das contas públicas como uma das prioridades de um eventual governo e vincula a redução do déficit à possibilidade de diminuir juros e melhorar o ambiente econômico.
O cenário político-econômico do país segue marcado por debates sobre sustentabilidade fiscal e ajustes estruturais. A proposta de Zema se soma a outras discussões sobre a Previdência, que permanece como um dos principais desafios de longo prazo para as finanças públicas brasileiras. Especialistas apontam que o envelhecimento populacional e a queda da taxa de natalidade pressionam o sistema previdenciário, tornando inevitável algum tipo de revisão periódica das regras.
O candidato, no entanto, não detalhou prazos ou percentuais para o aumento do tempo de contribuição, limitando-se a defender a criação de um mecanismo automático de ajuste. A proposta, se implementada, exigiria ampla negociação no Congresso Nacional, onde reformas dessa natureza historicamente enfrentam resistência de diferentes setores da sociedade.
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