Universitária relata crise de ansiedade após ter imagem exposta em ‘ranking’ sexual em Presidente Prudente

Uma universitária de Presidente Prudente (SP) relatou uma crise de ansiedade após descobrir que sua imagem foi exposta em um “ranking” de teor sexual e depreciativo, compartilhado em grupos de mensagens. Em desabafo, a estudante classificou a situação como “nojenta” e “esdrúxula”, afirmando que as vítimas ficam “completamente sem chão” diante da exposição. O caso, que já repercute entre os alunos, acende um alerta sobre a violência digital e o impacto psicológico desse tipo de prática no ambiente universitário.

A estudante, que preferiu não se identificar, contou que a descoberta ocorreu quando colegas a avisaram sobre a existência do material. “É algo nojento, esdrúxulo. A gente fica completamente sem chão”, desabafou, evidenciando o estado de choque e vulnerabilidade. A jovem relatou que, após a repercussão, passou a sentir sintomas de ansiedade, como taquicardia e dificuldade para dormir, o que a levou a buscar acompanhamento psicológico. O caso, que envolve a exposição não consensual de imagens, configura-se como uma forma de violência de gênero e cyberbullying, com possíveis implicações legais para os responsáveis.

Repercussão e mobilização entre estudantes

A notícia do “ranking” sexual gerou uma onda de indignação e solidariedade entre os universitários de Presidente Prudente. Nas redes sociais, alunos e alunas manifestaram apoio às vítimas e cobraram providências das instituições de ensino. Grupos de discussão foram criados para debater o caso e formas de combater a prática, que, segundo relatos, não é isolada. A situação expõe um problema mais amplo: a cultura de objetificação feminina e a facilidade de propagação de conteúdo íntimo sem consentimento em aplicativos de mensagens.

Especialistas em direito digital alertam que a exposição não autorizada de imagens íntimas pode configurar crime, conforme o Código Penal e a Lei Carolina Dieckmann, além de violar o Marco Civil da Internet. As vítimas podem buscar reparação judicial, mas o dano emocional muitas vezes supera o jurídico. A universitária, em seu relato, destacou a sensação de impotência: “A gente não sabe em quem confiar, se a nossa imagem vai aparecer em outro lugar”. O caso reforça a necessidade de campanhas educativas e de canais de denúncia dentro das universidades.

Panorama geral: violência digital no ambiente acadêmico

Este episódio em Presidente Prudente não é um caso isolado. Em todo o país, têm crescido os relatos de “rankings” e listas depreciativas envolvendo estudantes, especialmente mulheres, em instituições de ensino superior. Essas práticas, muitas vezes tratadas como “brincadeiras”, revelam um padrão de misoginia e violência simbólica que afeta a saúde mental das vítimas e o ambiente acadêmico como um todo. A falta de punição efetiva e o anonimato proporcionado pela internet agravam o problema, criando um ciclo de impunidade.

Diante disso, movimentos estudantis e coletivos feministas têm pressionado as reitorias para adotar protocolos de acolhimento e medidas disciplinares. A discussão também chega ao Congresso Nacional, onde tramitam projetos que endurecem penas para a divulgação não consensual de conteúdo íntimo. Enquanto isso, a universitária e suas colegas buscam forças para superar o trauma. “A gente precisa se unir para que isso não se repita”, concluiu, em tom de apelo. O caso segue sob investigação, e a polícia local já foi acionada para identificar os responsáveis pela criação e disseminação do material.

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