Mercadante critica Flávio Bolsonaro por visão ‘ultrapassada’ sobre energia e defende E32 como projeto estratégico

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, criticou duramente as declarações do candidato à presidência Flávio Bolsonaro sobre a rodovia E32, classificando sua visão como “ultrapassada” e desalinhada com as necessidades do desenvolvimento nacional. A declaração foi feita durante evento que discutia investimentos em infraestrutura no Nordeste, repercutindo diretamente no cenário eleitoral.

Mercadante afirmou que a E32, projeto estratégico para a integração logística e energética da região, não pode ser tratada com “desconhecimento técnico” ou “interesses eleitoreiros”. Segundo ele, a rodovia é fundamental para escoar a produção de energias renováveis, especialmente a eólica e solar, que têm crescido exponencialmente no interior nordestino. “Falar contra a E32 é ignorar o futuro do país”, destacou o presidente do BNDES, sem citar nominalmente o candidato em outros trechos, mas deixando clara a referência.

O que está em jogo com a E32

A E32 é uma rodovia planejada para conectar polos de geração de energia limpa a centros consumidores e portos, reduzindo custos logísticos e atraindo novos investimentos. Estudos do BNDES apontam que a obra pode gerar milhares de empregos diretos e indiretos, além de impulsionar a industrialização de municípios hoje dependentes de atividades de baixo valor agregado. Para Mercadante, a crítica de Flávio Bolsonaro demonstra “despreparo” para discutir políticas públicas de longo prazo.

O embate ocorre em um momento em que a sucessão presidencial de 2026 ganha contornos mais definidos. Pesquisas recentes indicam que a economia e a infraestrutura estão entre os temas mais citados pelos eleitores para decidir o voto. Enquanto isso, o governo federal tem buscado acelerar a liberação de recursos para obras consideradas prioritárias, como a E32, tentando capitalizar politicamente os resultados.

Panorama político e reações

A fala de Mercadante foi interpretada por analistas como uma resposta direta à estratégia de campanha de Flávio Bolsonaro, que tem adotado um discurso de crítica a gastos públicos e a projetos regionais. Aliados do candidato, no entanto, rebateram as declarações, afirmando que a preocupação é com a transparência e a viabilidade econômica do empreendimento. A polarização promete esquentar o debate nos próximos meses, especialmente em estados do Nordeste, onde a E32 é vista como vital para o desenvolvimento.

Especialistas ouvidos pela reportagem lembram que a infraestrutura sempre foi um campo de disputa entre os principais projetos políticos do país. Enquanto uns defendem a priorização de rodovias e ferrovias, outros apontam para a necessidade de investimentos em portos e aeroportos. No caso da E32, a discussão vai além do aspecto técnico e envolve a visão de país que cada candidato representa.

O BNDES, por sua vez, já sinalizou que deve manter o financiamento da obra, independentemente das críticas. “Não podemos pautar decisões de desenvolvimento por interesses de campanha”, afirmou Mercadante, reforçando o compromisso da instituição com projetos que gerem impacto social e ambiental positivo.

Enquanto isso, a população das cidades que serão beneficiadas pela rodovia acompanha o debate com expectativa. Lideranças comunitárias e empresários locais têm pressionado por celeridade nas obras, que podem transformar a realidade econômica de uma das regiões mais carentes do país. A expectativa é que o tema ganhe ainda mais relevância nos próximos meses, tanto nos palanques quanto nas audiências públicas.

O episódio também reacende a discussão sobre o papel de estatais e bancos públicos no financiamento de grandes projetos. Para Mercadante, a atuação do BNDES é essencial para garantir que o país não fique refém de “visões ultrapassadas” que atrasam o progresso. “O Brasil não pode parar no tempo”, concluiu.

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