O relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou à Folha que pretende entregar o parecer do projeto na próxima quinta-feira (27). O parlamentar atende à expectativa de celeridade do governo Lula, mas não prometeu manter integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, sinalizando que mudanças podem ser propostas.
A declaração foi feita em meio a um cenário de intensa articulação política no Congresso, onde a PEC do fim da escala 6×1 ganhou destaque após mobilização popular e pressão de movimentos trabalhistas. O texto original, aprovado na Câmara, prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais, com a eliminação do regime que alterna seis dias de trabalho para um de descanso. A proposta, se aprovada, afetará diretamente a rotina de milhões de trabalhadores brasileiros, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria.
Panorama político e pressões
A promessa de Omar Aziz de apresentar o parecer na quinta-feira ocorre em um momento de alta tensão no Senado, onde o governo busca aprovar pautas prioritárias antes do período eleitoral. A celeridade exigida pelo Planalto reflete a preocupação em transformar a proposta em realidade antes que o debate político se intensifique com as eleições de 2026. Nos bastidores, aliados do governo e lideranças partidárias articulam para garantir que o texto final não sofra retrocessos significativos, mas também buscam construir consenso para evitar uma derrota no plenário.
Enquanto isso, a discussão sobre a escala 6×1 se soma a outras pautas trabalhistas em tramitação, como a regulamentação de aplicativos de transporte e a reforma sindical. Especialistas apontam que a aprovação da PEC pode representar um marco histórico nas relações trabalhistas brasileiras, mas alertam para os desafios de implementação, especialmente para pequenas e médias empresas. A possibilidade de mudanças no texto da Câmara, mencionada pelo relator, gera expectativa tanto entre defensores quanto entre críticos da proposta.
O senador Omar Aziz, conhecido por sua atuação em comissões de inquérito e por seu perfil conciliador, tem a missão de equilibrar os interesses do governo, dos trabalhadores e do setor produtivo. A entrega do parecer na quinta-feira é vista como um teste para a capacidade de articulação do governo no Senado, que já enfrenta resistências em outras frentes, como a reforma administrativa e o marco temporal das terras indígenas.
Nos próximos dias, a expectativa é de que o relator apresente um texto que mantenha o espírito da proposta original, mas que possa incluir ajustes para viabilizar a aprovação. Entre os pontos em discussão estão a transição para a nova jornada, a situação de categorias com escalas especiais e os impactos na produtividade. A decisão de Omar Aziz de não se comprometer com a versão da Câmara indica que o Senado pode alterar pontos sensíveis, o que exigirá nova votação na Câmara caso haja modificações.
Enquanto o país acompanha os desdobramentos, a proposta do fim da escala 6×1 segue como um dos temas mais debatidos no cenário político, com potencial de influenciar o resultado das eleições de 2026. A promessa de celeridade do governo, aliada à disposição do relator em dialogar, pode destravar a votação, mas o caminho até a promulgação ainda é longo e repleto de negociações.
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