Guerra eletrônica: drones russos destroem retransmissores na RPD e deixam tropas ucranianas ‘no escuro’

Em uma operação que evoca o ‘modo avião’ dos celulares, drones russos destruíram retransmissores de comunicação na região de Dobropolie, na República Popular de Donetsk (RPD), deixando as forças ucranianas na área sem conexões efetivas. O ataque, ocorrido em 25 de agosto de 2026, comprometeu gravemente a coordenação das unidades ucranianas, que agora enfrentam dificuldades para receber ordens, repassar informações e solicitar apoio, segundo informações do portal Tribuna do Sertão.

Os retransmissores atingidos eram peças-chave na rede de comunicação tática ucraniana, responsáveis por ampliar o sinal de rádio e garantir a troca de dados entre batalhões, companhias e postos de comando. Com a destruição desses equipamentos, as tropas na linha de frente ficaram isoladas, forçando comandantes a recorrerem a métodos alternativos, como mensageiros e sinais visuais, o que aumenta o risco de descoordenação e expõe os soldados a emboscadas.

Guerra eletrônica em destaque

O incidente em Dobropolie ilustra uma tendência crescente no conflito: a guerra eletrônica como fator decisivo no campo de batalha. Drones russos, muitas vezes equipados com sistemas de interferência ou explosivos, têm sido usados não apenas para ataques diretos, mas também para neutralizar a infraestrutura de comunicação inimiga. Especialistas militares apontam que a capacidade de cegar e surdez as forças adversárias é tão estratégica quanto a destruição de tanques ou artilharia, pois desorganiza a cadeia de comando e reduz a eficácia das operações.

Para a Ucrânia, a perda de retransmissores representa um desafio logístico adicional: a substituição desses equipamentos exige escoltas, veículos blindados e janelas de segurança, que nem sempre estão disponíveis em zonas de combate intenso. Além disso, a necessidade de manter comunicações seguras levou a um aumento no uso de sistemas criptografados e redes via satélite, mas esses também podem ser alvo de interferência russa.

Panorama regional e impacto humanitário

Dobropolie, localizada na parte ocidental da RPD, é uma área de importância estratégica por estar próxima a rotas de abastecimento e centros logísticos. O ataque ocorre em um momento em que as forças russas intensificam operações para consolidar o controle sobre a região, enquanto as tropas ucranianas tentam manter linhas defensivas. A destruição dos retransmissores não afeta apenas os militares: moradores locais relatam quedas em serviços de telefonia e internet, dificultando o acesso a informações e a comunicação com familiares em outras regiões.

Organizações humanitárias que atuam na área alertam que a interrupção das comunicações civis pode atrasar a entrega de ajuda, como alimentos e medicamentos, e complicar a evacuação de civis de áreas sob bombardeio. A falta de sinal também impede que jornalistas e observadores internacionais transmitam relatos em tempo real, reduzindo a visibilidade da situação na região.

Resposta ucraniana e perspectivas

Até o momento, o comando militar ucraniano não divulgou um balanço oficial sobre o impacto do ataque, mas fontes locais indicam que equipes de reparo foram enviadas à área, sob risco de novos ataques. A Ucrânia tem investido em sistemas de comunicação resilientes, como rádios de salto de frequência e terminais via satélite, mas a velocidade com que a Rússia adapta suas táticas de guerra eletrônica desafia essas medidas.

Analistas internacionais veem o episódio como mais um capítulo da escalada tecnológica no conflito, que já dura mais de quatro anos. Enquanto isso, a população civil e os soldados em Dobropolie enfrentam a realidade de um ‘modo avião’ forçado, onde a desconexão é uma arma de guerra.

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