Em meio à escalada de tensões entre os presidentes Lula e Javier Milei, o governo brasileiro articula uma agenda de aproximação com parlamentares argentinos de oposição. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Relações Institucionais devem receber, na próxima semana, em Brasília, um grupo de cerca de 10 deputados argentinos contrários ao governo Milei, conforme apurou a GloboNews e publicou o blog do jornalista Valdo Cruz, no g1.
Segundo assessores presidenciais, a estratégia do Palácio do Planalto é trabalhar pela normalização das relações entre Brasil e Argentina, mantendo canais abertos tanto com a oposição quanto com a equipe de Milei. Apesar do rebaixamento das relações diplomáticas ao nível de encarregados de negócios, fontes do governo afirmam que a convivência entre os dois países segue em ritmo normal: “Está tudo seguindo o ritmo normal”, disse um assessor de Lula.
Diplomacia parlamentar como ponte
Os deputados argentinos que articulam as conversas com o Itamaraty são, por exemplo, Nicolás Massot e Martin Lousteau. Nas redes sociais, eles têm defendido que o objetivo do encontro é “abrir um canal de diplomacia parlamentar e contribuir para recompor um vínculo que nunca deveria ter sido afetado”. As agendas e os temas ainda estão sendo definidos, incluindo quem receberá os parlamentares e o conteúdo das discussões.
O movimento ocorre em um cenário de crise diplomática sem precedentes recentes entre os dois principais parceiros econômicos da região. O presidente argentino chamou Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”, enquanto ministros do governo brasileiro, como Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), responderam com ataques a Milei, classificando-o de “palhaço” e “caricatura patética”.
Rebaixamento e perspectivas
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, tem afirmado publicamente que as relações diplomáticas permanecerão rebaixadas ao nível de encarregados de negócios – em vez de embaixadores – até que os ataques de Milei a Lula cessem. Já o chanceler argentino, Pablo Quirno, que inicialmente tentou reduzir a temperatura da crise, passou a adotar um tom mais duro, sugerindo que a região vive uma “mudança ideológica” e que espera que isso ocorra também no Brasil, em referência às eleições de outubro. Milei apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Especialistas ouvidos pelo blog de Valdo Cruz avaliam que a recepção aos parlamentares de oposição pode ser uma tentativa do governo Lula de isolar o presidente argentino no cenário regional, ao mesmo tempo em que busca manter pontes institucionais. A Argentina é um dos principais destinos das exportações brasileiras de manufaturados, e a instabilidade política pode afetar acordos comerciais e investimentos bilaterais.
Enquanto isso, a oposição argentina vê na visita uma oportunidade de fortalecer laços com o Brasil e pressionar Milei por uma postura mais moderada. A expectativa é que, após as eleições brasileiras, haja um novo cenário para a retomada plena das relações, independentemente de quem vença o pleito.
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