O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram, na manhã desta sexta-feira (28), uma operação contra um grupo suspeito de cobrar propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos interceptadas por policiais civis. Dos sete mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, cinco haviam sido cumpridos até a última atualização, com agentes presos em três estados: São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A ação, que mobilizou equipes em diferentes frentes, mira um esquema que teria sido montado por policiais civis para extorquir valores de transportadores e comerciantes envolvidos no transporte de mercadorias sem documentação fiscal. As cargas, apreendidas em abordagens de rotina, seriam liberadas mediante pagamento de propina, em vez de serem encaminhadas às autoridades competentes.
Esquema de corrupção e lavagem de dinheiro
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e uso de intermediários para receber os valores. A propina variava conforme o tipo e o volume da carga, e o dinheiro era distribuído entre os envolvidos, incluindo agentes que faziam as abordagens e outros que davam suporte logístico. A operação também cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, com o objetivo de recolher provas de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.
As prisões preventivas foram decretadas pela Justiça após representação do MP-SP, que apontou risco de continuidade do esquema e de destruição de provas. A Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes, que podem ser expulsos da corporação caso as acusações sejam confirmadas.
Panorama e desdobramentos
A operação desta sexta-feira integra um esforço mais amplo de combate à corrupção dentro das forças de segurança, que tem resultado em prisões em diferentes estados. Em Alagoas, por exemplo, operações recentes prenderam policiais e outros suspeitos em casos de extorsão e crimes violentos, como a operação contra extorsão que prendeu policiais civis de SP em três estados e a prisão de um foragido por homicídio em Arapiraca. Esses casos evidenciam a atuação integrada entre Ministérios Públicos e corregedorias para responsabilizar agentes que se desviam de suas funções.
As investigações continuam em andamento, e novos desdobramentos não estão descartados. A população pode denunciar irregularidades envolvendo policiais por meio dos canais oficiais da Corregedoria e do Ministério Público, que garantem o anonimato do denunciante.
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