O candidato do PL Flávio afirmou, durante encontro com um ministro do governo de Nayib Bukele em São Paulo, que “tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais”. A declaração, registrada pelo portal Tribuna do Sertão, reforça a defesa do endurecimento da legislação penal e da ampliação de vagas em presídios como resposta ao avanço da criminalidade. O evento, realizado na capital paulista, reuniu lideranças políticas e representantes do modelo de segurança pública adotado em El Salvador, que ganhou projeção internacional nos últimos anos.
Durante o encontro, o candidato destacou a necessidade de revisar a legislação brasileira para tornar as penas mais rígidas e aumentar a capacidade do sistema prisional. A fala ocorre em um momento em que o debate sobre segurança pública domina as discussões eleitorais e mobiliza diferentes espectros políticos. A presença do ministro salvadorenho, que integra a equipe de Bukele, sinaliza a aproximação de setores políticos brasileiros com as políticas de tolerância zero implementadas no país centro-americano.
Panorama político e o avanço da pauta punitivista
O encontro em São Paulo não é um fato isolado. Nos últimos meses, cresceu no Brasil o interesse por modelos de segurança baseados em encarceramento em massa e na flexibilização de garantias processuais. El Salvador, sob a gestão de Bukele, reduziu drasticamente os índices de homicídios, mas enfrenta críticas de organizações de direitos humanos por supostas violações e superlotação carcerária. A declaração de Flávio, ao ecoar esse modelo, insere-se em um contexto mais amplo de disputa política sobre o papel do Estado no combate ao crime.
Especialistas apontam que o endurecimento penal, embora popular em determinados segmentos da população, não resolve as causas estruturais da violência, como desigualdade social, falta de oportunidades e deficiências no sistema de justiça. A proposta de ampliar o número de presos, defendida pelo candidato, contrasta com estudos que indicam a necessidade de investimento em prevenção e políticas sociais. Ainda assim, a pauta ganha força em um cenário de crescente sensação de insegurança e de polarização política.
O encontro com o ministro de Bukele também evidencia a internacionalização do debate sobre segurança pública no Brasil. A troca de experiências com governos estrangeiros, especialmente aqueles que adotam medidas consideradas radicais, tende a influenciar propostas legislativas e planos de governo. Resta saber se a adoção de tais políticas encontrará respaldo no Congresso Nacional e na sociedade civil, que acompanha com atenção os desdobramentos desse movimento.
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