A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Estela Aranha, suspendeu a propaganda eleitoral vinculada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que afirma que o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, teria sido um “funcionário fantasma” durante sua passagem pela carreira de servidor público. A decisão, de caráter preliminar, foi tomada após ação aberta pelo Partido Liberal no sábado (29), mesmo dia da primeira exibição do programa.
Na decisão, Aranha afirma que o trecho da propaganda pode “induzir o eleitor em erro quanto à existência e ao significado dos fatos apresentados”. A ministra destacou que a peça não se limita a uma crítica à trajetória pública do candidato, mas apresenta um suposto currículo com aparência documental, associado a imputações veiculadas. “A potencialidade lesiva não decorre apenas das frases isoladamente consideradas, mas da interação entre texto, imagem e contexto comunicacional da propaganda”, escreveu.
Contexto da propaganda e decisão judicial
A propaganda eleitoral de Lula, exibida no horário eleitoral, dedicou parte do programa para atacar Flávio Bolsonaro, apontado como principal adversário na disputa. O material apresentava um currículo com críticas, incluindo a relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado por fraudes no Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”.
A ministra também ponderou que a propaganda distorce fatos ao afirmar que Flávio Bolsonaro teria sido denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, a denúncia foi arquivada, sem condenação, e a peça “passa ao eleitor a falsa informação no sentido de que o candidato estaria presentemente denunciado por crimes gravíssimos”, o que caracteriza “grave descontextualização”.
Com a suspensão, fica proibida a divulgação da propaganda pelas emissoras de televisão que transmitem o horário eleitoral até que o plenário do TSE analise o pedido em definitivo. A decisão é preliminar e o mérito ainda será julgado.
O caso ocorre em meio a um cenário de disputa eleitoral acirrada, com a Justiça Eleitoral atuando para coibir excessos e desinformação. Em Alagoas, por exemplo, o TRE local já determinou a remoção de conteúdos desinformativos e a suspensão de pesquisas e impulsionamentos irregulares, conforme noticiado pelo Republica do Povo.
A suspensão da propaganda de Lula reforça a tendência de tribunais eleitorais de zelar pela veracidade das informações veiculadas, mesmo em períodos de alta polarização. A decisão da ministra Estela Aranha, embora preliminar, sinaliza uma postura rigorosa contra peças que possam induzir o eleitorado a erro.
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