O defensor público Ricardo Melro saiu em defesa do Hospital Geral do Estado (HGE), unidade comandada por seu irmão, Fernando Melro, e acusou a imprensa de divulgar “fake news”. No entanto, fiscalizações e documentos oficiais de órgãos como a Vigilância Sanitária, o Conselho de Medicina e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) já registraram problemas estruturais, sanitários e administrativos no maior hospital de emergência de Alagoas.
As declarações de Ricardo Melro foram feitas em meio a uma série de reportagens que apontaram deficiências no HGE, incluindo superlotação, falta de insumos e condições inadequadas de atendimento. O defensor classificou as matérias como tendenciosas e afirmou que a unidade vem sendo alvo de ataques injustos. Contudo, os registros oficiais obtidos pela reportagem do portal Frances News indicam que as críticas não são isoladas.
Fiscalizações apontam irregularidades
Documentos da Vigilância Sanitária estadual, acessados pela reportagem, apontam falhas na infraestrutura física do hospital, como problemas na rede elétrica, infiltrações e condições precárias de higiene em setores críticos. O Conselho Regional de Medicina de Alagoas (CRM-AL) também emitiu relatórios técnicos destacando a superlotação constante e a falta de leitos de UTI, o que compromete a qualidade do atendimento aos pacientes.
Já a Procuradoria Geral do Estado instaurou procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades na gestão da unidade, incluindo denúncias de desvio de finalidade e mau uso de recursos públicos. Esses documentos contrastam com a versão apresentada por Ricardo Melro, que nega qualquer problema grave e atribui as denúncias a interesses políticos.
Panorama político e repercussão
O caso ganha contornos políticos em um momento de disputa pelo governo estadual. O HGE é uma das principais vitrines da saúde pública em Alagoas, e a gestão de Fernando Melro à frente da unidade tem sido usada como trunfo por aliados e como alvo por opositores. A defesa pública feita por Ricardo Melro, que atua na área jurídica, reforça a ligação familiar e política em torno da administração do hospital.
Entidades de classe e movimentos sociais já cobram transparência e providências concretas para solucionar os problemas apontados. Enquanto isso, a população continua dependendo de um serviço essencial que, segundo os órgãos de controle, apresenta falhas que precisam ser urgentemente corrigidas.
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