Mesmo com 42,8% das vagas ociosas, os presídios federais de segurança máxima aparecem como promessa de expansão nos programas de governo de cinco candidatos à Presidência da República. As cinco unidades existentes têm capacidade para 1.040 presos, mas abrigavam apenas 594 no segundo semestre de 2025, segundo dados mais recentes do Sisdepen (Sistema Nacional de Informações Penais), do Ministério da Justiça.
A proposta de ampliar o sistema penitenciário federal surge em um contexto de debate sobre o endurecimento do combate ao crime organizado e a superlotação de presídios estaduais. No entanto, os números oficiais apontam que as unidades federais operam muito abaixo de sua capacidade, o que levanta questionamentos sobre a eficácia e a prioridade desse investimento.
Panorama dos presídios federais e ociosidade
Os presídios federais de segurança máxima foram criados para isolar lideranças de facções criminosas e presos de alta periculosidade. Atualmente, as cinco unidades — localizadas em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Brasília (DF) — somam 1.040 vagas. No segundo semestre de 2025, a população carcerária nessas unidades era de 594 detentos, o que representa uma taxa de ocupação de apenas 57,2%. Ou seja, 446 vagas estavam desocupadas.
Especialistas em segurança pública apontam que a ociosidade pode estar relacionada a critérios rigorosos de inclusão, que exigem perfil de alta periculosidade, e à necessidade de vagas em regime disciplinar diferenciado (RDD). Ainda assim, a promessa de expansão por parte dos candidatos sugere uma aposta na ampliação do isolamento como resposta à criminalidade, mesmo diante da subutilização atual.
Promessas de campanha e contexto político
Os cinco candidatos que incluem a expansão dos presídios federais em seus planos de governo não foram nomeados na notícia original, mas a proposta reflete uma tendência de discurso de endurecimento penal nas eleições de 2026. A medida é apresentada como forma de garantir o isolamento de líderes de organizações criminosas e de combater o crime organizado, que tem se tornado um dos principais temas da disputa presidencial.
O debate ocorre em um momento em que a segurança pública ganha destaque na agenda nacional, com propostas que vão desde o aumento de penas até a construção de novas unidades prisionais. A ociosidade das vagas, no entanto, pode indicar que o problema não é a falta de espaço, mas sim a gestão do sistema e a definição de critérios mais claros para a ocupação das vagas existentes.
Enquanto isso, outros temas como economia, saúde e educação também dividem espaço nos programas de governo, mas a segurança pública tem sido usada como vitrine eleitoral. A promessa de ampliar presídios federais, mesmo com vagas sobrando, pode ser vista como uma resposta simbólica à demanda popular por punição, mas especialistas alertam que a medida pode não ter impacto real na redução da violência.
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