A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciada em fevereiro, provocou uma disparada nos rendimentos dos títulos públicos globais, elevando em dezenas de bilhões de dólares o custo dos empréstimos para as maiores economias desenvolvidas do mundo. O impacto foi mensurado em levantamento do Financial Times (FT), que aponta um agravamento significativo da pressão fiscal sobre os países do G7.
Segundo o estudo, a alta dos juros dos títulos soberanos, que já vinha sendo observada antes do conflito, ganhou força com a instabilidade geopolítica gerada pela guerra. O movimento afeta diretamente o serviço da dívida de países como Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, que precisam desembolsar valores cada vez maiores para rolar seus passivos.
Pressão sobre os cofres públicos
O levantamento do FT destaca que, apenas nos primeiros meses do conflito, o aumento dos rendimentos adicionou dezenas de bilhões de dólares às despesas com juros dos países do G7. Esse cenário ocorre em um momento em que várias dessas economias já enfrentam déficits orçamentários elevados e níveis de endividamento que preocupam investidores e agências de classificação de risco.
A situação é particularmente delicada para os Estados Unidos, cujo Tesouro vendeu títulos de 30 anos com a taxa mais alta desde 2001, conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada em agosto. Esse movimento reflete a percepção de risco elevado no mercado e a necessidade de oferecer retornos maiores para atrair compradores.
Panorama econômico e perspectivas
O cenário de juros altos tende a se manter enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio, o que pode levar os bancos centrais a adotarem posturas mais cautelosas em relação à política monetária. A combinação de inflação pressionada por custos de energia e juros elevados cria um dilema para as autoridades econômicas, que precisam equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento.
Especialistas ouvidos pelo FT alertam que, se a guerra se prolongar, o impacto fiscal pode se tornar ainda mais severo, forçando cortes de gastos ou aumentos de impostos em países que já enfrentam descontentamento social com medidas de austeridade. A elevação dos juros globais também afeta economias emergentes, que veem seus custos de financiamento subirem e o capital estrangeiro se tornar mais escasso.
O levantamento do FT reforça a tese de que conflitos geopolíticos de grande escala têm efeitos duradouros sobre a economia mundial, não apenas por seus custos humanitários e militares, mas também por suas consequências fiscais e financeiras de longo prazo. A comunidade internacional acompanha com atenção os desdobramentos do conflito e seus reflexos nos mercados, enquanto governos do G7 buscam estratégias para mitigar os danos às suas contas públicas.
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