Contas públicas têm superávit em julho, mas dívida atinge 82,5% do PIB, maior nível em cinco anos

As contas do setor público consolidado registraram superávit primário de R$ 1,4 bilhão em julho, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (31). Apesar do resultado positivo, a dívida pública continuou subindo e atingiu 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível em mais de cinco anos. O superávit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos superam as despesas do governo, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública.

O resultado abrange o governo federal, estados, municípios e empresas estatais. Na comparação com julho do ano passado, houve melhora: naquele mês, o saldo foi negativo em R$ 66,6 bilhões, devido ao pagamento de precatórios. Mesmo com o saldo positivo, o endividamento seguiu em trajetória de alta, o que acende alerta para a sustentabilidade fiscal no médio prazo.

Desempenho por esfera de governo em julho

No mês de julho, o governo federal registrou saldo positivo de R$ 11 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões e as empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,1 bilhão. O resultado consolidado, portanto, reflete a melhora nas contas federais, mas ainda expõe dificuldades em outras esferas.

Acumulado do ano e meta fiscal

No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, as contas públicas registraram déficit primário de R$ 78,8 bilhões, equivalente a 1% do PIB. Houve piora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB). Somente o governo federal acumula déficit de R$ 82,4 bilhões na parcial do ano, contra um déficit de R$ 7 bilhões nos primeiros sete meses de 2025.

A meta fiscal para este ano prevê um saldo negativo de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que significa que a meta será cumprida se o governo tiver saldo zero ou superávit de até R$ 68,6 bilhões. O texto permite ainda que o governo exclua do cálculo R$ 63,5 bilhões em despesas, como precatórios, gastos com sentenças judiciais, defesa e educação.

Resultado nominal e impacto da dívida

Quando incorporados os juros da dívida pública, o resultado nominal de julho foi deficitário em R$ 97,6 bilhões. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal alcançou R$ 1,24 trilhão, ou 9,34% do PIB. Esse indicador é acompanhado de perto por agências de classificação de risco, pois influencia a nota de crédito do país e a percepção de investidores.

O resultado nominal sofre impacto do desempenho mensal das contas, das atuações do BC no câmbio e da taxa básica de juros (Selic), fixada pela instituição para conter a inflação. A combinação de juros elevados e dívida crescente pressiona o orçamento público e limita o espaço para investimentos.

Em meio a esse cenário, o governo busca equilibrar as contas com medidas de ajuste fiscal, mas a trajetória da dívida segue como principal desafio para a sustentabilidade econômica do país.

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