Saída de Bruno Dantas do TCU abre caminho para Rodrigo Pacheco e reacende articulação política no Congresso

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, formalizou nesta segunda-feira (31) sua saída do cargo, em ofício encaminhado ao presidente da Corte, Vital do Rêgo Filho. A vaga, que pertence à cota de indicação do Senado Federal, deve ser preenchida pelo senador Rodrigo Pacheco, em articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O movimento ocorre em um momento de reaproximação entre Alcolumbre e o presidente Lula, após um período de rompimento, e em meio a uma semana decisiva de votações no Congresso antes das eleições de 2026.

Em seu ofício, Bruno Dantas afirma que a decisão é de caráter “irretratável” e que sua exoneração deve valer a partir de 9 de setembro. Ele justifica a saída como uma escolha “pessoal e voluntária, amadurecida ao longo dos últimos meses”. Dantas chegou ao TCU por indicação do MDB no Senado, e sua saída abre espaço para uma nova indicação da Casa.

Articulação política e reaproximação entre Lula e Alcolumbre

A vaga de Bruno Dantas é de indicação do Senado, e Davi Alcolumbre já sinalizou que pretende indicar Rodrigo Pacheco para o cargo. Segundo interlocutores de Alcolumbre, ele aguardava apenas a formalização da decisão de Dantas para articular a ida de Pacheco ao TCU. Pacheco, que desistiu de concorrer a qualquer cargo eleitoral neste ano, já havia sido cogitado por Lula para disputar o governo de Minas Gerais, mas recusou o convite.

A movimentação ocorre em um contexto de reaproximação entre Lula e Alcolumbre. Antes, o presidente do Senado defendia a indicação de Pacheco para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luiz Roberto Barroso. No entanto, Lula optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, que acabou rejeitado pelo Senado. Esse episódio gerou um rompimento entre Lula e Alcolumbre, que foi superado neste mês de agosto, após uma reunião entre os dois.

Semana de esforço concentrado no Congresso

Com a reaproximação, o governo espera avançar em pautas prioritárias na última semana de votações antes das eleições de 2026. Entre os temas estão a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e a medida provisória que trata do fim da taxa das blusinhas. O Congresso não está em recesso, mas as atividades parlamentares foram reduzidas durante o processo eleitoral. Agora, os parlamentares devem se concentrar nas votações antes de retornarem a Brasília apenas em novembro.

A PEC do fim da escala 6×1, que tramita no Senado, é um dos focos do governo. Ela foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 21 de agosto, após quase três meses de espera, e a expectativa é que seja votada tanto na comissão quanto no plenário. A articulação política, portanto, ganha novos contornos com a saída de Bruno Dantas e a possível indicação de Rodrigo Pacheco para o TCU, o que pode influenciar o cenário político nos próximos meses.

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