A Polícia Civil de São Paulo solicita desde maio acesso a dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) de Karina Ferreira da Gama, empresária responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) e pela produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura se recursos públicos recebidos pelo ICB teriam sido repassados à produtora. Neste domingo (13), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, ao retirar o sigilo do caso, autorizou o acesso às informações.
Desde maio deste ano, a polícia apresentou ao menos quatro pedidos para acesso aos relatórios de inteligência financeira, mas as solicitações não haviam sido atendidas pela Justiça paulista. Com a decisão de Dino, que também retirou o sigilo do inquérito, os investigadores poderão acessar os dados financeiros da empresária e do instituto.
Investigação sobre desvio de recursos
Karina preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu recursos de emendas parlamentares e firmou contratos com o poder público, e também é sócia da produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em maio, os investigadores solicitaram ao Coaf um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) com o histórico das movimentações de Karina e do ICB a partir de 20 de junho de 2024.
Segundo a representação policial, Karina, única sócia da Go Up Entertainment, iniciou a produção do longa-metragem Dark Horse, filmado em inglês, com elenco e direção de Hollywood e custo estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões. Os investigadores afirmam que a origem dos recursos privados usados no projeto não teria sido devidamente esclarecida.
A polícia sustenta haver suspeitas de possível desvio de recursos do programa WiFi Livre SP para custear atividades relacionadas à produção do filme. Os investigadores também apontam a suspeita de utilização de contas de empresas subcontratadas e de outras organizações sociais administradas pela empresária para ocultar a origem dos valores.
“Paralelamente ao desvio dos recursos municipais, as informações obtidas pela mídia apontam que a investigada Karina Ferreira da Gama, na qualidade de única sócia da empresa Go Up Entertainment, iniciou a produção cinematográfica do longa-metragem ‘Dark Horse’, gravado em inglês, com elenco e direção de Hollywood, e custo estimado entre R$ 8.000.000,00 e R$ 20.000.000,00, sem que a origem do financiamento privado tenha sido devidamente declarada ou identificada”, diz trecho da representação policial.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas s”, completa o documento.
Panorama político
A decisão de Flávio Dino de retirar o sigilo do caso ocorre em meio a um cenário de intensa polarização política no país. O filme “Dark Horse” é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que deve concorrer nas eleições de 2026. A investigação sobre suposto desvio de recursos públicos para financiar a produção pode ter desdobramentos políticos, uma vez que envolve recursos de emendas parlamentares e contratos com o poder público.
O caso também levanta questionamentos sobre a fiscalização de recursos destinados a organizações sociais e a transparência na aplicação de verbas públicas. A Polícia Civil de São Paulo segue investigando o destino dos recursos do programa WiFi Livre SP, que tem como objetivo oferecer internet gratuita em espaços públicos da capital paulista.
Enquanto isso, a defesa de Karina Ferreira da Gama não se manifestou até o momento. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.
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