A Polícia Federal (PF) informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que os dados extraídos do telefone celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro estão preservados e sob a guarda da instituição. A PF declarou que está de posse do aparelho e do material original extraído dele, com lacres íntegros e com os mecanismos de verificação de integridade digital. A informação foi prestada neste domingo (13), em resposta a um pedido de Fachin feito na noite de sábado (12).
A corporação acrescentou que tem “plenas condições técnicas” para encaminhar cópia idêntica dos dados a todos os ministros que a solicitaram. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin já manifestaram interesse em receber a íntegra desses dados.
Contexto da solicitação de Fachin
O presidente do STF havia solicitado informações sobre a custódia do material extraído do celular de Vorcaro e o estado em que ele se encontrava. Em sua solicitação à PF, Fachin citou a negativa do ministro André Mendonça, relator do caso Master, para dar acesso ao material.
Segundo Mendonça, a mídia que está em seu gabinete é uma cópia de segurança, “lacrada” e “inacessível”, “a ser utilizada apenas em caso de necessidade ou em decorrência da perda ou do extravio do material original”, que está com a PF. A PF, por sua vez, informou que recebeu pedido do gabinete de Mendonça e encaminhou a cópia dos dados.
Manifestação da PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou neste sábado, reiterando ao presidente do STF a necessidade de acesso integral aos dados de Vorcaro. A PGR já havia repetido o pedido anteriormente.
Panorama político e institucional
A disputa em torno do acesso aos dados do celular de Daniel Vorcaro ocorre em meio a um cenário de tensão entre diferentes órgãos do sistema de Justiça. O caso Master, que envolve o ex-banqueiro, tem desdobramentos que alcançam ministros do STF e outras autoridades. A negativa de André Mendonça em compartilhar o material e a subsequente intervenção do presidente da Corte, Edson Fachin, evidenciam um embate sobre a governança e a transparência de informações sensíveis dentro do próprio tribunal.
A movimentação também ocorre em um momento de maior escrutínio sobre as relações entre instituições financeiras e o mundo político. Investigações da PF têm citado nomes de políticos em redes de influência ligadas ao Banco Master, como no caso que envolve o deputado Isnaldo Bulhões e outros 10 políticos. Além disso, a negociação de delação do banqueiro Daniel Vorcaro enfrenta resistência da PF e da PGR, que rejeitaram o acordo por considerarem estratégia defensiva e cálculo político.
O impasse sobre o celular de Vorcaro adiciona mais um capítulo à crise que envolve o STF e a ala do ministro Alexandre de Moraes, que aponta falhas processuais para barrar investigações contra o próprio ministro. A decisão de Fachin de assumir a relatoria do processo sobre Moraes e Vorcaro e o prazo de 24 horas dado à PF para prestar informações são desdobramentos diretos desse cenário.
A PF reafirmou que o material está preservado e que pode ser compartilhado com os ministros que o solicitarem, o que pode levar a novos desdobramentos processuais nos próximos dias. A expectativa é de que a íntegra dos dados seja analisada por diferentes gabinetes, ampliando o escopo das investigações e das decisões judiciais relacionadas ao caso.
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[…] ter condições de enviar os dados aos ministros do STF, conforme noticiado anteriormente. A corporação informou que o material estava disponível para envio assim que houvesse determinação […]