A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes entrou de vez nos cálculos eleitorais das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) e provocou ajustes nas estratégias dos dois candidatos na reta final da disputa pela Presidência. O episódio, que domina o noticiário político nas últimas semanas, obrigou as duas campanhas a recalibrar discursos e prioridades, segundo apuração do g1.
Do lado de Lula, parte dos integrantes da campanha defende que o assunto seja deixado em segundo plano. A avaliação é que insistir no episódio envolvendo o Supremo não ajuda o petista a recuperar terreno e que a campanha deve concentrar esforços em propostas e respostas para a economia. Outra ala defende que o presidente assuma uma postura mais crítica à Corte e marque distância de Moraes, embora aliados avaliem que o cargo de presidente limite críticas diretas ao ministro.
Aliados do presidente apontam o preço dos alimentos e a inflação como dois dos principais fatores de desgaste de Lula neste momento. Integrantes da campanha atribuem o crescimento de Flávio entre eleitores de menor renda e entre as mulheres à estratégia do adversário de explorar o custo de vida.
Ofensiva nas redes e comparação com governo anterior
A ofensiva de Lula inclui comparar a situação econômica atual com a vivida durante o governo de Jair Bolsonaro. Entre segunda-feira (14) e terça-feira (15), o presidente publicou nas redes sociais dois conteúdos sobre temas que estão no centro da disputa eleitoral: a fome e o preço da carne. Durante o governo de Jair, o Brasil voltou ao mapa da fome, ou seja, o percentual de brasileiros que não tinham certeza de quando fariam a próxima refeição estava acima da média mundial.
Em uma das peças, a campanha contrapõe declarações de Bolsonaro sobre a fome a dados sobre a redução da pobreza e destaca a saída do Brasil do Mapa da Fome. O vídeo termina com falas de Lula afirmando que o combate à miséria é uma das prioridades de seu governo. O conteúdo foi repostado por Lula na segunda-feira.
Pesquisa Quaest aponta empate técnico e redução de vantagem entre mulheres
A leitura ocorre após a pesquisa Quaest mostrar, pela primeira vez desde o início oficial da campanha, que Flávio está numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. O senador aparece com 42%, contra 40% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
Entre as mulheres, um dos segmentos em que Lula tinha vantagem mais confortável, a distância diminuiu. Em agosto, o presidente registrava 47% nesse grupo, contra 35% de Flávio. Agora, Lula tem 41% e o candidato do PL, 38%.
Estratégia da campanha de Flávio
Na campanha de Flávio, a crise no Supremo é considerada um dos componentes que ajudaram a criar um ambiente favorável ao candidato, embora auxiliares também apontem a economia como o principal acerto da estratégia até agora. O senador tem explorado o custo de vida e o preço dos alimentos como temas centrais de sua agenda, o que, segundo aliados, explica o avanço entre eleitores de menor renda e mulheres.
O cenário eleitoral permanece volátil, com as duas campanhas ajustando o tom e as prioridades a cada nova rodada de pesquisas e desdobramentos políticos. A crise no STF, que inicialmente parecia um tema restrito ao mundo jurídico, transformou-se em variável central da disputa presidencial, influenciando desde a agenda dos candidatos até a percepção do eleitorado sobre temas como economia e institucionalidade.
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