A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou a exposição negativa da Corte nas últimas semanas, em função das denúncias de envolvimento de magistrados do tribunal no caso do Banco Master. A manifestação da magistrada ocorreu nesta terça-feira (15), durante julgamento que decidiria sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje, um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa, mas eu disse que estava triste. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição, por determinação nela expressa, provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nestes últimos dias”, afirmou a ministra.
Espetacularização do caso
Segundo Cármen Lúcia, houve uma espetacularização desse caso, o que fez grande mal à sociedade, que deveria estar discutindo os rumos do país em meio ao processo eleitoral. “Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade, essa é a minha percepção. Inebriamos o sentimento de justiça da cidadania estes últimos dias”, apontou.
Suspensão do julgamento
A sessão acabou sendo suspensa, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, a análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3 a favor da análise separada sobre a conduta de Moraes e os atos praticados por Mendonça.
Panorama político
O caso envolvendo o Banco Master e magistrados do STF ocorre em um contexto de intensa movimentação política no país, às vésperas do processo eleitoral. A exposição negativa da Corte, conforme apontado pela ministra Cármen Lúcia, gerou um ambiente de instabilidade institucional que pode repercutir no debate público e na confiança da população nas instituições.
Durante a sessão, os ministros Flávio Dino, Zanin e Mendonça apresentaram posicionamentos divergentes sobre a condução do julgamento. Zanin afirmou que não é possível investigar Moraes sem julgar os atos de Mendonça, enquanto Mendonça acompanhou Fachin e votou por um julgamento separado de Moraes. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise, deixando o caso sem data para retomada.
Fonte: ver noticia original

