Cármen Lúcia lamenta descrença nas instituições e pede desculpas ao povo brasileiro em meio a crise no STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (16) que “lamenta” o momento de descrença nas instituições democráticas que tomou conta do país. A declaração foi feita durante participação por videoconferência em um evento sobre Controle Interno e segue a mesma linha da manifestação dela durante o julgamento no STF nessa terça-feira (15), que terminou sem uma conclusão sobre o relatório que aponta uma relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

“A democracia vive da confiança que o cidadão tem, que a cidadã tem nas suas instituições. Eu digo isso com muito lamento pelos momentos que nós estamos passando de descrença, de desânimo com a administração pública”, afirmou a ministra.

Ela prosseguiu, defendendo a importância de ter tolerância com erros, mas frisou que a “busca pelo acerto é uma imposição”, uma obrigação para todos os servidores e agentes públicos.

“Como eu disse, erros são do ser humano, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós, servidores, temos para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar”.

“Possa acreditar mais no país, possa acreditar mais na democracia e principalmente que ele possa saber que nós temos o dever de prestar o mesmo melhor serviço. Não é favor, não é uma prerrogativa, é obrigação. E é uma obrigação que nós temos que cumprir”, concluiu.

Julgamento no STF

Nessa terça-feira (15), durante o julgamento, Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro porque queria ter contribuído para “acalmar” a crise do STF.

A crise na Corte teve início no começo de setembro de 2026, com o levantamento do sigilo de relatórios da PF elaborados no âmbito das apurações sobre fraudes financeiras no Banco Master.

Entre os documentos, um relatório da PF identificou 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes entre dezembro de 2023 e novembro de 2025 — data em que o empresário foi preso pela primeira vez.

“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa, que era tentar resolver, e as questões não foram resolvidas e foram crescendo demais. Portanto, estou pedindo desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas, mas ao povo brasileiro, porque realmente queria ter sido melhor e poder ter ajudado a acalmar as coisas e não consegui”, afirmou.

Julgamento interrompido

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) sobre a crise que atinge a Corte terminou com 4 votos a 3 para manter separadas as análises pelo Supremo das condutas de Alexandre de Moraes.

O panorama político nacional segue tensionado por decisões da mais alta Corte. Recentemente, o STF retomou em setembro o julgamento sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem beneficiar candidatos condenados, tema que mobiliza o meio político. Além disso, a Corte tornou réu o deputado Gilvan da Federal por discurso de ódio contra Lula, e liberou o julgamento de Eduardo Bolsonaro por tarifaço dos EUA contra o Brasil. Em outro caso, o STF suspendeu o julgamento de mudanças na Lei da Ficha Limpa que reduzem o prazo de inelegibilidade, após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Ainda no Judiciário, o STF julga recurso que pode anular a absolvição de empresário no caso Mariana Ferrer, cuja audiência foi marcada por constrangimentos e é alvo de questionamento.

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