O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente reconhecido como a “inflação do aluguel”, registrou uma desaceleração significativa em março de 2026, fechando o mês em 0,52%. Este resultado, divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), representa uma reversão em relação à taxa de 0,73% observada em fevereiro, mas ainda assim reflete as intensas pressões inflacionárias provenientes de produtos agropecuários e do setor de derivados de petróleo, impactando diretamente o poder de compra das famílias e os contratos de locação em todo o país, conforme dados da Agência Brasil.
Apesar da desaceleração mensal, o panorama geral da economia brasileira, conforme os dados do Ibre/FGV, revela um cenário de deflação acumulada de 1,83% nos últimos 12 meses para o IGP-M. Isso significa que, na média, os preços monitorados pelo índice recuaram neste período, oferecendo um alívio para os reajustes de aluguéis. No entanto, a volatilidade tem sido uma marca registrada, com metade dos resultados mensais positivos e metade negativos ao longo do último ano, evidenciando a instabilidade econômica. Em março de 2025, por exemplo, o índice havia registrado uma deflação de -0,34%, demonstrando a complexidade das dinâmicas inflacionárias.
Este cenário de flutuações no IGP-M e a persistência de pressões em setores-chave como o agropecuário e o de energia colocam em xeque as estratégias econômicas do governo e do Banco Central. A desaceleração da “inflação do aluguel” pode ser vista como um ponto positivo para a estabilidade dos preços ao consumidor final, mas a origem das pressões, ligada a commodities globais e à produção interna, exige atenção redobrada. O debate sobre a política monetária, a taxa de juros e as medidas de controle inflacionário ganha novos contornos, com a sociedade civil e o setor produtivo atentos aos próximos passos das autoridades para garantir a recuperação econômica sem comprometer o poder de compra da população.
Atacado Impulsiona o Índice
A composição do IGP-M é multifacetada, e o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV considera três componentes principais para sua apuração. O de maior peso e, consequentemente, de maior impacto no índice geral, é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação na porta das fábricas e lavouras, respondendo por 60% do IGP-M completo. Em março, o IPA apresentou uma alta de 0,61%, sinalizando que as pressões de custo estão se originando na cadeia produtiva.
O economista do Ibre, Matheus Dias, detalha que a principal força por trás da alta de preços no IPA veio do setor agropecuário. Produtos essenciais na mesa dos brasileiros, como bovinos, ovos, leite, feijão e milho, foram os grandes contribuintes para essa pressão. O aumento no preço dos ovos, por exemplo, foi notável, registrando 16,95% em março, após já ter subido 14,16% em fevereiro. Da mesma forma, o feijão encareceu 20,91% em março, seguindo uma alta de 13,77% em fevereiro, evidenciando a persistência de desafios na produção e distribuição de alimentos.
Além das dinâmicas internas, o economista Matheus Dias acrescenta que o cenário externo levou a uma reflação, especialmente impulsionada pelos preços dos derivados de petróleo. Essa pressão global sobre as commodities energéticas, conforme já indicado no título original da Agência Brasil, impacta diretamente os custos de transporte e produção em diversos setores da economia nacional, reverberando até o consumidor final e contribuindo para a complexidade do cenário inflacionário brasileiro.
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