Uma onda de desinformação varreu as redes sociais desde 14 de março, com publicações em plataformas como **Instagram**, **TikTok**, **X** e **Facebook** atribuindo falsamente ao **Presidente Lula (PT)** a recomendação de que a população substituísse o uso de veículos por caminhadas devido ao aumento dos preços dos combustíveis. O portal **República do Povo** apurou, com base em verificações do **g1.globo.com/fato-ou-fake**, que a declaração do presidente foi retirada de contexto; na realidade, **Lula** criticava o sedentarismo e a falta de atividade física para emagrecer, em um debate que tangenciava o uso do medicamento **Ozempic**, e não fazia qualquer menção à crise dos combustíveis que impacta o bolso dos brasileiros.
Os posts enganosos, que se espalharam rapidamente, apresentavam caixas de texto sobrepostas às imagens com frases como “Gasolina tá cara, vá a pé 😂😂😂” e legendas que reforçavam a distorção: “GASOLINA SOBE… E A RESPOSTA DO GOVERNO É: ‘VAI A PÉ’. Enquanto o preço dos combustíveis pesa no bolso de milhões de brasileiros, a resposta que viralizou nas redes foi direta: ‘Vai a pé. O cara tem que aprender que andar faz bem'”. Embora o vídeo em questão seja autêntico e não uma criação de inteligência artificial, sua veiculação fora do contexto original induziu milhões de usuários ao erro, gerando um debate polarizado sobre a gestão econômica do país.
O Contexto Real da Declaração Presidencial
A declaração de **Lula** ocorreu em 13 de março, durante um evento de inauguração do **Setor de Trauma** no **Hospital Federal do Andaraí**, localizado na **Zona Norte do Rio** de Janeiro. A tarja visível na parte inferior do quadro do vídeo original, transmitido pelo **YouTube do Canal Gov**, confirmava o local e a ocasião. A transcrição completa do discurso presidencial comprova que não houve qualquer referência aos combustíveis. Naquele momento, o então prefeito do **Rio**, **Eduardo Paes (PSD)**, havia abordado a futura disponibilização do medicamento **Ozempic** pelo **Sistema Único de Saúde (SUS)** na cidade, o que pautou a fala de **Lula** sobre hábitos saudáveis. O presidente afirmou: “Por que que as pessoas não param meia hora todo dia? Por que que não caminham? Por que que não faz ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco, andar. O cara vai comprar pão, vai de carro. O cara vai na farmácia, vai de carro. O cara… sabe? Anda um pouco. Ele tem que aprender que andar faz bem”. Esta fala, focada na saúde pública e no combate ao sedentarismo, foi habilmente desvirtuada para criar uma narrativa de descaso governamental.
Panorama Político e o Impacto dos Combustíveis
A disseminação da notícia falsa ocorreu em um momento de alta sensibilidade econômica e política. Apenas dois dias antes, em 12 de março, o governo **Lula** havia anunciado um conjunto de medidas para tentar conter a escalada dos preços dos combustíveis, diretamente impactados pela instabilidade geopolítica decorrente da guerra no **Oriente Médio**. Entre as ações divulgadas, destacaram-se o aumento do imposto sobre a exportação de petróleo e a isenção de impostos federais sobre o diesel, demonstrando uma tentativa de intervenção para aliviar o peso sobre os consumidores e a cadeia produtiva.
Apesar das medidas governamentais, os preços nos postos de combustíveis continuaram a registrar aumentos significativos. Conforme o balanço da **Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)**, divulgado em 27 de março, o litro do diesel acumulava uma alta de quase **24%** desde o início do conflito, passando de uma média de **R$ 6,03** para **R$ 7,45**. A gasolina também sofreu reajuste, com um aumento de **8%**, elevando o preço médio do litro de **R$ 6,28** para **R$ 6,78**. Este cenário de encarecimento real da vida dos brasileiros criou um terreno fértil para a proliferação de desinformação, que buscou capitalizar sobre a insatisfação popular para minar a credibilidade das ações governamentais e do próprio presidente.
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