Com o encerramento de dois prazos cruciais para o cenário eleitoral de outubro, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) testemunhou uma profunda reconfiguração em suas bancadas. A janela partidária, que se encerrou nesta sexta-feira, 3 de abril, e o limite para a desincompatibilização de cargos, neste sábado, 4 de abril, provocaram movimentos estratégicos que culminaram na ascensão do PSD à terceira maior bancada da Casa, enquanto o tradicional PSDB sofreu uma queda vertiginosa, passando a ocupar apenas a décima posição, conforme informações do portal G1.Globo.com.
As alterações na composição das bancadas da Alesp são um reflexo direto das movimentações políticas pré-eleitorais. Partidos que já compõem a base governista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foram fortalecidos, com o PL e o próprio Republicanos ganhando dois deputados cada, consolidando ainda mais sua influência no parlamento paulista. Em contrapartida, legendas com menor representação, como o Cidadania, que antes contava com três deputados, e o PDT e a Rede, que possuíam um deputado cada, deixaram de ter parlamentares na Casa. Um novo ator político, o partido Missão, surge com um deputado, marcando sua presença no legislativo estadual.
A mudança mais expressiva, no entanto, ocorreu nos quadros do PSD, liderado por Gilberto Kassab, e do PSDB. O PSD, que há uma semana viu Kassab deixar o governo Tarcísio, demonstrou uma notável capacidade de articulação, saltando de quatro para onze parlamentares. Essa captação de deputados alçou o partido à posição de terceira maior bancada na Alesp. Entre os novos membros do PSD está Barros Munhoz, ex-tucano que ocupa um assento na Mesa Diretora da Casa, um movimento que sublinha a estratégia do partido. Por outro lado, o PSDB experimentou um encolhimento dramático de 75%, passando de oito para apenas dois deputados. Essa redução fez com que o partido caísse da quarta para a décima maior bancada. Anteriormente, devido à federação com o Cidadania, o PSDB detinha, na prática, a terceira maior bancada, atrás apenas do PL e do PT, o que lhe garantia um assento na Mesa Diretora – posto agora ocupado pelo PSD.
Panorama Eleitoral e Candidaturas
As intensas movimentações partidárias são um prelúdio para as eleições de outubro, com a maioria dos parlamentares da Alesp já se posicionando como pré-candidatos. Dos 94 deputados estaduais, impressionantes 82% almejam a reeleição. Outros 12% buscam uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília, enquanto 5% ainda não definiram seus próximos passos políticos, incluindo o presidente da Casa, André do Prado (PL). Há também um parlamentar que se prepara para a aposentadoria, o deputado Rafael Silva (PSD), após 32 anos de dedicação à Alesp.
O impacto das eleições se estende também à Câmara Municipal, embora os cargos de vereador não estejam em disputa neste ano. Cerca de 35% dos vereadores devem se candidatar a outros cargos: 16% para deputado federal e 13% para deputado estadual, com 5% ainda em fase de indefinição sobre seus futuros políticos.
Desincompatibilização de Cargos
Enquanto deputados estaduais e vereadores não são obrigados a deixar seus cargos para concorrer nas eleições de outubro, secretários de governos e prefeituras que pretendem disputar o pleito têm até este sábado, 4 de abril, para se desincompatibilizar. Na manhã da última quarta-feira, 1º de abril, oito secretários da gestão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura de São Paulo já haviam se desligado de suas funções com vistas às eleições. Entre os nomes que realizaram esse movimento está o vereador Sidney Cruz, que retorna à Câmara Municipal, enquanto Paulo Frange faz o movimento inverso, assumindo uma posição no Executivo, conforme reportado pelo G1.Globo.com, citando Lucas Bassi da Câmara Municipal de São Paulo.
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